ARTIGO – “NÃO QUERO PARA MEU GENRO, MAS QUERO JOGANDO NO MEU TIME”

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Luiz Carlos Vaz

“Não quero para meu genro, mas quero jogando no meu time”(*)

Luiz Carlos Vaz – Jornalista
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Luís Fernando Lessa Freitas era um excelente frasista. Mas não um frasista qualquer. Era um frasista bem humorado. Não quero com isso, claro, reduzir o Freitas a essa máxima. E para tanto conto com a inteligência de vocês. Não vou nem citar que ele era Jornalista formado pela UCPel, que dedicou sua vida à política e a cultura; que foi quem, em duas oportunidades, incentivou a criação – primeiro nos anos 60, e a recriação da nossa Feira do Livro, desta vez em 1977, e que dedicou toda a sua vida à outras atividades culturais da cidade onde nasceu e viveu… Não estou escrevendo a biografia do “velho Freitas”. Estou lembrando suas tiradas, quando, com o cachimbo ou um charuto no canto da boca, soltava algo assim: “Meu velho, ainda vão inventar uma vacina contra a AIDS, mas contra a ignorância, não!”
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Filho de Bento Freitas, era, claro, um Xavante de todos os costados, e dizia: Só torço por três times, e todos com começam com a letra b: Brasil, Botafogo e Barcelona. E, sobre futebol, possuía um currículo invejável. Tinha, por exemplo, assistido o “dos uno” no Maracanã…
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De quatro em quatro anos, como a maioria dos brasileiros, escalava seus jogadores para a Seleção! E, claro, não deixava de fora nenhuma vedete, nenhum bobalhão, ninguém que, fazendo gols, garantisse mais uma conquista para o Brasil. Então fico imaginando o velho Freitas escalando para esta Copa do Qatar jogadores como o analfabeto político e sonegador de impostos – aqui e lá fora, Neymar, e repetindo uma de suas frases preferidas sobre vááários jogadores durante anos a fio: “Não quero para meu genro, mas quero jogando no meu time”.
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Bom jogo a todos. Vou torcer pela nossa Seleção, pelo Tite, pelo Brasil! E vou vestir a “Camiseta Canarinho do Schlee”. Phoda-se o Neymar e suas peripécias financeiras, musicais, políticas e sexuais. Eu quero mais um Caneco!
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Ah! E em respeito ao “direito de autoterminação dos povos”, durante o jogo vou beber só chá!
Dá-lhe Brasil sil sil sil
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(*) Frase de Luís Fernando Lessa Freitas, que nos deixou aos 74 anos, em 2001. Foto arquivo Pelotas 13 horas