ARTIGO – A SAÚDE DE PELOTAS EM FRANGALHOS – Podcast

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A SAÚDE DE PELOTAS EM FRANGALHOS

Paulo Gastal Neto*

Dia desses uma senhora, 80 anos, ligou para o programa para relatar que se dirigiu à Farmácia Municipal, por volta das 10h da manhã, para retirar colírios e que foi atendida somente perto das 14h. Em qualquer lugar civilizado e que respeita o idoso, mas com um mínimo de gestão eficiente, essa cidadã, conterrânea nossa com 80 anos, (no momento em que ela comprovou a necessidade desse medicamento fora do alcance de suas posses) receberia os colírios em sua casa.

Há três semanas, aqui mesmo no programa, debatemos a situação do Hospital Escola da UFPEL – vinculado a EBSERH – e a crise enfrentada pela instituição em decorrência da falta de anestesistas e a consequente paralisação das cirurgias eletivas. Foi um programa ilustrativo, foi exposto o problema, relatos foram feitos, mas a solução objetiva foi de  que não houve avanços. A ‘bolha’ mantida pelos anestesistas é impenetrável. Não existe nenhuma autoridade municipal, estadual ou federal capaz de mudar essa situação. Ou paga ou morre!

Houve também esforços promovidos pelo SIMERS, com uma agenda em Pelotas na semana passada. As declarações reveladas no programa dão conta do espanto dos dirigentes do Sindicato Médico do RS em relação as estruturas do Pronto Socorro Municipal e da UPA Areal, que não condizem com a cidade de Pelotas, segundo aquele corpo diretivo. Uma vergonha para a cidade!

Vamos em frente: Ainda dentro de seu projeto dos 100 primeiros dias, o governo federal anunciou um programa para reduzir a fila dos procedimentos médicos feitos através do SUS, responsável pelas cirurgias. Pois bem: Os hospitais, vergonhosamente, deixam de lado o caráter humanitário para assumirem definitivamente um viés mercantil.  Enquanto isso, a secretaria da saúde não foi capaz sequer de liberar a lista das necessidades reprimidas, e mais: a mesma secretaria não teve a capacidade de promover um entendimento para que Pelotas se credenciasse para o programa federal de redução de filas para cirurgias. Um passo eminentemente de responsabilidade dos gestores, que é sentar à mesa e resolver problemas. Simplesmente um jogou para o outro e o munícipe que fique à mercê das suas angustias. A pior angustia é a doença, mas a mazela maior é a falta de perspectiva de tratar a doença. Pior ainda é viver numa cidade que não se importa com a dor alheia.

Mas tem mais: os relatos vindos do Pronto Socorro Municipal, das UBSs e da UPA Areal são absolutamente constrangedores. O tempo de espera, a capacidade de vazão e a falta de médicos e medicamentos são uma constante. Recebo telefonemas de pessoas chorando. Se quiséssemos fazer um programa de rádio tipo dramalhão mexicano, não faltariam atores nem estórias tristes e dramáticas. Meus amigos: o melhor, sugiro, é um convênio amplo com as funerárias e cemitérios, pois dado o ‘andar da carruagem’ iremos necessitar muito deles.

*Radialista

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