ARTIGO – PERSEVERAR SEMPRE; DESISTIR NUNCA!

729

Ramacés Hartwig *

No Evangelho para este domingo (São Lucas 18,1-8)Jesus conta mais uma bela parábola a fim de ressaltar a importância da PERSEVERANÇA NA ORAÇÃO ! Esta estória envolve um “juiz desonesto” (que não temia a Deus) e uma “viúva impertinente” (que não cessava de “incomodar o juiz” para que julgasse sua causa). Nesta comparação, partindo de um exemplo da vida cotidiana, Jesus quer nos ensinar que a INSISTÊNCIA, diferentemente da teimosia, também nos ajuda a “ganhar uma causa” que, caso a deixássemos de lado, seria perdida. A irremediável convicção da viúva e sua “perseverante insistência” (redundância coloquial proposital) fazem com que “a defesa de seus direitos” sejam levados em consideração e, finalmente, julgados.

Há poucos dias em uma manifestação enviada à ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, duas advogadas de Pelotas, criticaram a demora no julgamento de um caso envolvendo um homem de 80 anos. Segundo a carta enviada à Corte, o homem aguardava há 11 anos uma decisão do STF e morreu no mês passado sem ver o seu pleito atendido. O comunicado das defensoras ironiza: “Parabéns, ministra, pela demora”. Assinado pelas advogadas Lílian Velleda Soares e Maria Emília Valli, o comunicado conta a história de Celmar Lopes, servidor aposentado da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que, juntamente com outros ex-servidores públicos, pleitearam o reajuste de 28,86% em suas aposentadorias. Em 2001, o processo foi alvo de embargos de declaração e, em maio de 2008, teve a tramitação suspensa após o INSS ingressar no STF com um recurso extraordinário em regime de repercussão geral — ou seja, a decisão nele proferida pela Suprema Corte será estendida a todos os processos que tratam do mesmo tema. O pagamento da parcela, assim, ficou congelado até que o STF decida pela manutenção ou não da sentença inicial. Segundo as advogadas a crítica não teve a intenção de ferir pessoalmente a ministra Rosa Weber, mas sim expor a situação da instituição. Sobre o uso da ironia, elas dizem que são figuras de linguagem utilizadas no Direito para contextualizar as situações.

Jesus, ao concluir a comparação e, dada a semelhança com o fato acima (por isso a citação), nos ensina que o próprio Deus vai “fazer justiça a favor de seu povo que grita por socorro dia e noite”. Para tanto, basta que as pessoas tenham fé e perseverem na oração ! Temos, em nosso Hinário, o hino 276: Vigiar e Orar, cujo refrão cantamos:

Bem de manhã, e sem cessar, VIGIAR E ORAR !

Diocese Anglicana de Pelotas

Rev. Ramacés Hartwig

Igreja do Salvador – Rio Grande