ARTIGO – A DEMOCRACIA RELATIVA

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A DEMOCRACIA RELATIVA
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Ivon Carrico*
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Quando em 1915 o físico alemão Albert Einstein apresentou, em Berlim, a sua revolucionária ‘Teoria da Relatividade’ não tinha ideia do alvoroço que isso causaria nas cabeças pensantes e coroadas do mundo de então.
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Para ele, em suma, a falta de um “ponto de referência” – para permitir a comparação de determinada Grandeza, como a velocidade – regia a Teoria da Relatividade. No conceito geral da Física tudo aquilo que se pode medir, aferir é convencionado como Grandeza.
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Pois bem…Não é que, pegando carona nesse imaginário, dentre outros, as Ciências Sociais, as Ciências Políticas e a História, no Brasil e no mundo, foram e têm sido – também – relativizadas? Hoje, inclusive, o tal Revisionismo histórico, para isso, tem fincado raízes. Aqui e alhures.
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Assim, para melhor exemplificar esse entendimento, temos que, em 1977, o então Presidente brasileiro Ernesto Geisel – para justificar o adiamento da esperada abertura do Regime – assombrou o mundo político e acadêmico do País ao afirmar que o nosso País vivia sob uma ‘Democracia Relativa’.
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Já, ontem, para justificar o Regime de exceção do Nicolás Maduro, eis que o Presidente Lula surpreendeu ao anunciar que a Venezuela – também – é uma ‘Democracia Relativa’.
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As declarações do então Presidente Geisel, àquela ocasião, causaram um enorme ‘frisson’ na nossa Esquerda ideológica. O mesmo se pode dizer, agora, do impacto das declarações do Presidente Lula na nossa Direita.
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Bem, em um ambiente em que o espaço delimitado é o mesmo, ou seja, a restrição das liberdades democráticas e a sua conveniência, temos – entretanto – que o tempo é distinto …lá se vão 46 anos!
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Para o Einstein, tempo e espaço não eram grandezas absolutas. Daí, a Relatividade. Será que a democracia, para o nosso mundo político, também? (Ivon Carrico).
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*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília: 01/07/2023