JOSÉ ANTÔNIO COSTA – JUCA

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No início do Treze. José Antônio Costa, no estúdio da Rádio Universidade, participando do Treze Horas, já nas suas primeiras edições. Polêmica era uma de suas características. Figura imprescindível nos debates.

MEMÓRIA DO TREZE HORAS

JOSÉ ANTÔNIO COSTA – JUCA 

O Memória do Treze Horas de hoje relembra mais um integrante da equipe do programa que deixou a sua marca entre nós: José Antônio Costa, o Juca Costa. Clayton Rocha, com o seu texto, nos trás lembranças do companheiro de viagens, integrante da equipe com sua polêmicas e picardia e o amigo em tantas jornadas.

Por Clayton Rocha

Fez várias Copas do Mundo: Espanha, México,  França, Itália. Vivia em função do futebol e do tênis, e acompanhou Guga Kuerten em jornadas memoráveis. Era figura chave nos debates quentes do terceiro andar do Banlavoura e não levava desaforo para casa. Goleiro, marcou presença no seu amado Grêmio Atlético Farroupilha. Levou duro golpe da vida ao perder Humberto, o jovem estudante de Medicina, atingido surpreendentemente por grave doença em 1986.

Certa vez, Fernando Lessa Freitas e eu o seguimos, depois do 13 Horas. Informados do que estava acontecendo, deveríamos fazer alguma coisa: ele comprava a ZH do dia, levava uma cadeira de praia para o cemitério, e passava boa parte da tarde junto ao túmulo do seu filho.  Ao visitá-lo lá,  nossos argumentos foram desmanchados um a um diante do pranto sofrido de um pai apaixonado que se negava a aceitar aquela verdade. Foi ali, naquela tarde de abril de 1986, que tomei uma decisão: ele iria comigo para a Cidade do México  e para Guadalajara, e ficaria quarenta dias fora do pais, para poder enfrentar as suas dores interiores e a própria vida.

Éramos amigos do peito e, se necessário fosse, brigava com qualquer um em minha defesa. Inesquecível Juca! Faz uma falta danada ao 13 Horas, onde sabia temperar o papo esportivo. Dava vida ao debate, era o primeiro a chegar e a propor o assunto do dia. Não poupava ninguém, suas falas eram diretas, no fim do outro, que acusava o golpe. Naquele tempo o futebol pelotense tinha três clubes com muitos craques e escalações na ponta da língua do torcedor. Juca voltou sofrido da Espanha 1982, aquela Seleção Brasileira era simplesmente encantadora.

Em 1998, na França, ele e Wolney Castro atuaram naquele Mundial ao lado de Paulo Francisco Gastal Neto, que mostrou-se incansável na organização das agendas de trabalho de nossa dupla pelos campos franceses. Nisso tudo, e neste tempo de depoimentos e de saudade, percebe-se a crueldade do tempo, esse que passa sem que se perceba o seu espírito traiçoeiro. Ele é impiedoso porque nem se deixa notar. Na correria profissional de cada dia ninguém silencia para meditar: estamos em 1998!  Não, não estamos mais. Agora a conversa é outra, trata-se do ano 2020, e até o século já mudou. Depois de quase quarenta e dois anos de Debates, percebo que nada é mais forte que o hábito. Ao nos entregarmos às rotinas profissionais de cada dia nem mesmo o relógio de pulso é sinalizador do tempo consumido.

E até mesmo do notável pensador Ovídio costumamos esquecer, quando as páginas de suas obras insistem em sinalizar que os anos aproximaram-se silenciosamente. E que tudo em nós é mortal, menos os bens do espírito e da inteligência. ( CR, 21 de junho, inverno pandêmico de 2020).

Juca Costa e Paulo Gastal Neto em Paris durante a Copa do Mundo de 1998. José Antônio Costa comentava os jogos ao lado de Wolney Castro e Paulo Gastal Neto nas reportagens. Era a Rádio Universidade em mais uma transmissão internacional.
Nilza Peracchi da Costa, a esposa de Juca e também tenista (parentes próximos do ex Governador Wálter Peracchi Barcellos).
Alexandre Peracchi da Costa, filho de Juca.