ARTIGO – OS PAPAGAIOS DE PIRATA

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OS PAPAGAIOS DE PIRATA

Ivon Carrico*

Está consolidada no anedotário tupiniquim essa expressão que significa a pretensão de alguns estarem, gratuita e/ou fortuitamente, sujeitos à uma devida ou indevida exposição pública.

Assim, a presença dos Governadores de São Paulo e Goiás, em Israel, a convite do Premier Benyamin Netanyahu, surpreende pelo inusitado da iniciativa.

O que esses 02 Senhores foram fazer em Israel? Convalidar a política expansionista e limpeza étnica perpetrada pelo Netanyahu e seus acólitos, na Faixa de Gaza?

Sim, repito: Israel tem todo o direito de se defender. Deve lutar para trazer os reféns. Mas, isso não pode ser argumento para dizimar um povo. No caso, os Palestinos.

Israel é um País magnífico, com um povo excepcional. Uma cultura milenar admirada por todos. Um espetáculo de organização.

Mas, como em todo o conflito, temos visto ações deploráveis de ambos os lados, bem como atitudes desmesuradas de terceiros que, sequer, têm qualquer conexão com os fatos.

O primeiro foi a ação criminosa do Hamas que invadiu Israel, em 07 de outubro de 2023, matando 1.200 israelenses e, fazendo 240 reféns.

Depois, tivemos o desproporcional revide do Netaniahu, para – ato contínuo – assistir ao posicionamento equivocado do Lula quando comparou o conflito com o Holocausto.

E, por último, mas não menos importante, assistir esses 02 papagaios de pirata se envolvendo em uma questão que não lhes diz respeito. A Política Exterior é atribuição do Poder Central e, não de Governadores.

*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília: 24/03/2024