ARTIGO – TREZE HORAS 41 ANOS

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TREZE HORAS: 41 ANOS – Renato Varoto*

Ainda que rasgando o ventre da História jamais se alcançará a grandiosidade de certos fatos e personagens. Por assim ser, distante de qualquer tentativa de narrar, ainda que a voo de pássaro, a saga do Pelotas 13 horas criado por Clayton Rocha há quarenta e um anos. Importa, em meu entender, deixar claro que a história deve ser contada não pelo tempo percorrido, mas sobretudo pelas transformações produzidas. É o caso do 13 Horas, vez que, de todo em todo, impossível contar nossa vida sem voltar aquele 06 de novembro de 1978, quando o programa, idealizado no Vaticano, foi ao ar em sua primeira edição pela Rádio Universidade Católica de Pelotas, onde se mantém desde então.

Por ele passaram grandes, enigmáticas e medíocres figuras do mundo artístico, político, econômico, social, corporativo, dentre outros, nacional, deixando suas marcas e permitindo, em consequência suas avaliações. Não destaco nenhum dos nomes com os quais pude conviver, mas certamente de muitos tenho excelentes lembranças. Era, como o é ainda hoje, componente obrigatório da agenda de qualquer personalidade que visite Pelotas uma participação, ainda que breve, no programa, sem o que sua passagem pela cidade resultará deslustrada.

Para não me alongar lembro um caso, apenas um. O espetáculo com conhecida artista nacional não conseguira vender mais do que cerca de um quinto dos ingressos. A atriz, cujo nome propositadamente sonego, foi ao programa falar sobre o espetáculo e, confessou posteriormente, haver encontrado um Teatro Guarany lotado. É, apenas uma pitada do prestígio do programa.

Participo há mais de 35 anos dessa história, por vezes substituindo, de forma eventual e precária, o titular em seus impedimentos, com o que incontáveis experiências pude vivenciar não apenas no fazer da notícia, mas sobretudo no conhecer das vaidades, falsidades e, sobretudo, méritos do ser humano. Necessário seriam muitas laudas para contar como algumas das figuras decepcionaram de tal forma a “mesa de debates” que apenas a cortesia nos obrigava a suportá-las. Já outras, felizmente, surpreenderam com suas inteligências, nitidez de valores e, sobretudo, respeito pelos pelotenses, não usando o programa para manifestações de interesse apenas pessoal.

As lembranças são muitas, mas não quero me estender para não ser incorreto e sobretudo por não ter mais forças para administrar a emoção de certas lembranças, particularmente as mais doces, que foram a maioria.

Assim, fico por aqui e vou saborear um delicioso chá oriental que o Clayton nos serve em personalizadas canecas. A minha, por óbvio, está na galeria dos troféus conquistados na vida.

*RENATO VAROTO – PROFESSOR E JORNALISTA