TANAC IVESTE R$ 100 MI PARA AUMENTAR EM 80% A PRODUÇÃO EM RIO GRANDE

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Empresa produz cavacos de madeira na unidade do município portuário na Metade Sul do Estado. TANAC/DIVULGAÇÃO
De olho nos mercados da Europa e da Ásia, a Tanac projeta ampliar neste ano 80% da sua capacidade de produção de cavacos de madeira na unidade localizada em Rio Grande. Será o principal resultado do aporte em execução este ano de R$ 100 milhões nas operações da empresa no Estado. De acordo com o diretor presidente da Tanac, João Carlos Soares, hoje a unidade produz, em média, 1,2 milhão de metros quadrados de cavacos por ano, e passará a mais de 2 milhões. Todo o produto é exportado a partir do Porto de Rio Grande.
“Estamos em um momento de aumento da demanda, especialmente na Ásia e na Europa, de matéria prima para a indústria da celulose, e ainda temos uma participação crescente no mercado externo de biomassa, como uma alternativa para a descarbonização das atividades industriais no mundo todo”, explica o diretor. A ampliação da capacidade produtiva de cavacos dá início a um avanço na indústria florestal, que terá sequência no próximo ano, quando a Tanac deverá ampliar também a sua capacidade de produção de pellets. Neste ano, esta produção, de acordo com Soares, recebe uma parte menor _ em torno de R$ 15 milhões – dos investimentos do ano, somente na melhoria de processos na fábrica, que é a maior planta industrial de pellets de madeira no Hemisfério Sul.
A unidade industrial da Tanac em Rio Grande tem 260 mil metros quadrados.

A floresta na base da produção

O investimento faz parte do plano de R$ 300 milhões no prazo de cinco anos, anunciado pela Tanac ainda em 2022. No ano passado, foram aportados outros R$ 80 milhões. E se o aporte é refletido em maior produtividade industrial, a atenção da empresa está voltada para a origem deste produto. Todo o material transformado nas unidades industriais da Tanac tem origem nas florestas da empresa, todas plantadas no Rio Grande do Sul. A empresa é considerada a maior produtora de acácia negra no mundo, com 55 milhões de árvores plantadas, que tornam a Tanac também líder mundial na produção de extratos vegetais, cavacos e pellets a partir da acácia.
Serão R$ 60 milhões aportados, dentro do plano de cinco anos, somente nas operações florestais. E para garantir melhor gerenciamento da produção, foi inaugurada no começo deste ano uma nova sede administrativa, em Pelotas. O local, às margens da BR-116, agora centraliza as atividades de silvicultura, colheita, planejamento florestal, oficina, manutenção e logística.
A meta, aponta a empresa, é aumentar a área plantada com acácia negra _ e uma parcela menor de eucaliptos _ em 7 mil hectares por ano. A estrutura, que absorveu os antigos escritórios regionais que eram mantidos em três municípios próximos, conta com 100 funcionários. Ao todo, as operações da Tanac empregam 1,4 mil pessoas.
Atualmente, a matéria-prima para a produção da Tanac vem de plantios em 21 municípios. A maior parte, na Metade Sul do Estado. Somente entre Encruzilhada do Sul, Cristal e Bagé, são mais de 80 florestas plantadas, em um universo de 25 mil hectares gerenciados pela Tanac no Rio Grande do Sul. Hoje, a Tanac é uma empresa “carbono negativo”, por reter sete vezes mais CO2 da atmosfera do que emite em toda a sua operação.

Extrato da acácia é potencializado

Em 2022, a empresa anunciou uma parceria com o Banco do Brasil oferecendo benefícios aos agricultores que queiram fazer o manejo da acácia negra em suas propriedades. O resultado, garante o diretor, tem sido muito positivo.
“O plantio da acácia é muito vantajoso para o produtor rural, porque ele tem ganhos importantes não apenas com a tora, mas também com a casca, com muito valor agregado”, explica João Soares.
O ambiente no Rio Grande do Sul é considerado um dos melhores do mundo para o plantio da acácia negra. E se as toras dão origem aos produtos processados em Rio Grande desde 1995, a casca tem destino em Montenegro, na operação de processamento de tanino, que deu origem à Tanac, em 1948. Na época, o destino principal era a indústria do couro, mas o produto hoje é destinado a quase todo tipo de indústria, desde o tratamento de efluentes e de água até a correção de vinhos.
E o potencial, acredita o diretor da Tanac, ainda não está totalmente explorado. Por isso, a empresa destina R$ 5 milhões em pesquisa e desenvolvimento do tanino.
“Queremos entender ainda melhor o mercado e a funcionalidade deste produto, que é cada vez mais demandado”, aponta.
Entre os potenciais que tem sido pesquisados estão o uso do tanino na base da produção de aves e suínos, e no fornecimento para a indústria de fertilizantes, que tem no Estado um dos mais importantes polo produtivo do País.

FICHA TÉCNICA

Investimento: R$ 100 milhões
Estágio: Em execução
Empresa: Tanac
Cidade: Rio Grande
Área: Indústria
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Investimento em 2022: R$ 80 milhões