MEMÓRIA DO TREZE HORAS: O PELOTENSE QUE MAIS FEZ POR PELOTAS!

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Clayton Rocha e Luis Simões Lopes

O ‘Memória do Treze Horas’ de hoje vai relembrar um dos pelotenses mais ilustres da história. Trata-se de Luís Simões Lopes, nascido em Pelotas em 2 de julho de 1903 e falecido no Rio de Janeiro no dia 21 de fevereiro de 1994. Era engenheiro Agrônomo, mas se destacou através da sua influência que exercia junto ao presidente Getúlio Vargas. Um dos grandes arquivos do programa Treze Horas é justamente o de vozes. Ao longo dos mais de 40 anos de transmissões diárias do programa uma infinidade de personagens por aqui passaram e deixaram a sua marca com algo que foi dito.

O caso de Luis Simões Lopes, foi mais do que isso apenas. Além das entrevistas que concedeu ao programa, Clayton Rocha teve o cuidado de entrevistá-lo em sua residência numa espécie de entrevista definitiva. São oito horas de conversa em mais de dez fitas K-7 e que renderam um depoimento inédito deste pelotense que recebeu a expressão quando ainda estava em atividade: ‘de o pelotense vivo que mais fez por Pelotas’!

No ‘Memória do Treze Horas’ deste domingo repassamos aos leitores do www.pelotas13horas.com.br um trecho desta estrevista que foi toda ela transcrita de áudio para texto, num trabalho inestimável.

Carreira e vida política

Em 1921, Simões Lopes iniciou seus estudos na Escola Superior de Agricultura em Piracicaba. Em 1923, se mudou para Belo Horizonte, se formando em engenharia agrônoma na Escola Mineira de Agricultura e Veterinária. Em 1925, ingressou no Ministério da Agricultura, se tornando oficial de gabinete do Ministério.

Em 1929, em um episódio conhecido na História política do país, Luis Simões Lopes se envolveu em uma luta corporal junto ao seu pai, Ildefonso Simões Lopes, com o deputado Francisco de Souza Filho. Ildefonso atirou no deputado, levando ao seu óbito, e após julgamento, pai e filho foram absolvidos com alegação de legítima defesa.

Em 1930, após a ascensão de Vargas ao poder, Luis Simões Lopes foi nomeado oficial de gabinete da Presidência da República. Em 1936, participou da Comissão de Reforma Econômica e Financeira, e em 1937 foi nomeado diretor do então Conselho Federal do Serviço Público Civil. O Conselho Federal do Serviço Público Civil precedeu o Departamento Administrativo de Serviço Público (DASP), que foi criado por portaria de 4 de agosto de 1938. Luís Simões Lopes foi nomeado por Getúlio Vargas presidente do DASP, permanecendo no cargo até 29 de outubro de 1945, pedindo a saída do cargo quando Getúlio Vargas foi retirado do poder.

Em dezembro de 1944, assumiu o cargo de presidente da recém-criada FGV – Fundação Getúlio Vargas, que tinha o objetivo de promover a formação de pessoal qualificado para a administração pública e privada. Em 1945, após deixar a presidência do DASP, continuou na presidência da Fundação e presidiu comissões e conselhos diversos do governo. Deixou a instituição em 1992, após quarenta e oito anos à frente da instituição.

Entre 1951 e 1952, durante o segundo governo Getúlio Vargas, dirigiu a Carteira de Exportação e Importação do Banco do Brasil (CEXIM). Em 1954, foi eleito primeiro presidente do conselho de administração do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM). Foi também, durante muitos anos, diretor da Sociedade Nacional de Agricultura, entidade que presidiu entre 1960 e 1979 e à frente da qual promoveu intenso combate às propostas de reforma agrária. Foi também diretor do Banco Comind e de inúmeras empresas privadas.

Leia um trecho da entrevista feita por CLAYTON ROCHA com LUIS SIMÕES LOPES

Fita 1 – lado B

CR – Estávamos falando sobre DASP…

LSL – Eu vou lhe contar a história…você entende melhor…em 1936 eu trabalhava com o Dr. Getúlio Vargas desde 1930 ele me nomeou presidente da Comissão de Reforma Administrativa.

CR – Mas antes disso…assessor especial ou oficial de gabinete?

LSL – Oficial de Gabinete, quando ele (Getúlio Vargas) tomou posse ele fez as nomeações e nomeou o gabinete civil e nomeou o gabinete militar, eu fiz parte do gabinete civil como oficial de gabinete que era o título que se usava, agora depois desses seis anos de trabalho com ele (Getúlio Vargas) ele me nomeou presidente da Comissão de Reforma Administrativa, então, tivemos um trabalho imenso em organizar o serviço público todo…encontramos realmente coisas extraordinárias. Exemplo: encontrei no serviço público algo em torno de 20 mil funcionários que nunca tinham sido nomeados. Bom então organizei esse serviço todo na comissão que funcionava no próprio Palácio do Catete, num andar que ele mesmo nos cedeu e como eu disse  também nós chegamos a trabalhar 24 horas por dia. Criamos um projeto de lei.  A lei 284 de 1936, nós chamávamos o “sistema do mérito” e uma série de outras providencias que o serviço público estava precisando. Naturalmente naquele tempo os deputados estavam funcionando e se dizia que era a respeito dos funcionários, os políticos nossos, talvez melhores do que os de hoje, mas enfim, era bastante ruins também, e então houve muitas emendas ao nosso projeto, favorecendo classes, favorecendo pessoas, favorecendo todos que eles podiam fazer para arranjar votos com os funcionários.

CR – Foi o ponto mais importante da sua passagem pelo DASP?

LSL – Não!  Aí eu ainda não estou no DASP! Eu estou na “comissão” que criou esta lei. Eu tinha visitado na Europa e nos Estados Unidos sistemas de administração inclusive no governo americano no Palácio do Governo e na Inglaterra, que foi o país que começou as reformas administrativas mais cedo e gente muito competente e eu já tinha um certo conhecimento de tudo isso. Então um dos organismos que nós criamos nesta reforma foi o Conselho Federal do Serviço Público Civil, mais ou menos como os americanos chamavam de “Civil Service Comission”, era mais ou menos isso, mas nós aqui tínhamos mais atribuições e começamos então a trabalhar dentro desta legislação nova que nós próprios tínhamos feito, porque eu consegui que essas emendas todas apresentadas no Senado e na Câmara ou fossem derrotadas no próprio congresso  mas sobraram muitas. Mas consegui botar num só artigo,  todas as emendas que estavam aprovadas no Congresso. Então pedi ao Dr. Getúlio que ele vetasse o artigo, ele vetou e a lei ficou exatamente como nós tínhamos feito.  Então trabalhamos assim criando…até que em 1937 houve aquele golpe de estado…o presidente aprovou uma nova constituição feita pelo Ministro Francisco Campos, Ministro da Justiça e com a autorização dos governadores e também das classes  militares e ai então nós entramos na realidade num regime de “ditadura”. Dr. Getúlio era o ditador fechou o Congresso e essa reforma constitucional criou o DASP!  Montou junto a Presidência da República um órgão para essas finalidades…assim…assim…etc….etc… Já estava na realidade funcionando em parte antes, mas ficaram com muito maiores atribuições…inclusive o orçamento que passou do ministério da Fazenda para nós.  E então eu fui, primeiramente nomeado para a Comissão de Reformas Administrativas e segundo fui nomeado para o Conselho Federal de Serviço Público Civil. E ai quando  a constituição criou o DASP, na constituição de 37, eu fui nomeado presidente do DASP. E aí naturalmente tive outras possibilidades  e responsabilidades.

CR – O DASP controlava agora o orçamento da União?

LSL – Controlava o orçamento da União e controlava todos os órgãos!

CR – Daí o apelido que o Dr. Mozart Russomano dava ao Sr….Primeiro Ministro?

LSL – (Risos)…É pois é….realmente foi um esforço para se fazer tanta coisa, que basta dizer o seguinte, eu sou um apaixonado pela minha cidade de Pelotas, onde fui criado, mas eu passei oito anos sem vir a Pelotas bem antes de 37 onde fiquei dia e noite no Palácio, de maneira que passei esses anos todos sem vir a Pelotas!

CR – Você gosta muito daqui….de Pelotas Dr. Luis você vem freqüentemente aqui?

LSL – Eu venho! Realmente eu gosto muito, tem uma coisa, a única coisa que eu aprecio que é a minha velha estância da  “Graça” , onde eu sou creio que a quinta geração de proprietários daquelas terras. Naturalmente a estância da Graça antigamente, mesmo  quando eu era menino, era uma estância enorme mas meu avô, o Visconde da Graça, ele casou duas vezes, ele teve onze filhos de cada  esposa, de forma que tinha uma família muito grande  apesar de terem morrido muitos.  Quando houve a famosa cólera em Pelotas em 1855…lá na estância da Graça que era uma charqueada então, morreu a Esposa do meu avô, a filha dele e morreram sessenta escravos.

CR – Vinte e dois filhos?

LSL – Ele teve vinte e dois filhos, alguns como acontecia naquele tempo morreram criança, coisa e tal, mas era uma família muito numerosa de maneira que  meu bisavô, o pai dele  tinha o mesmo nome dele: João Simões Lopes….o Visconde da Graça também se chamava João Simões Lopes Filho quando o pai era vivo.  Eles eram grande fazendeiros, tinham estância aqui, meu bisavô tinha estância no Uruguai, muito boa, depois meu avô tinha estância em Uruguaiana, muito grande também, tinha estância em outros lugares e, mas tinha muitos filhos, de maneira que nas divisões, ficou um pouco para cada um.

CR – Getúlio Vargas quando Deputado Estadual veio a Pelotas várias vezes?

LSL – É….e mesmo quando governador, inclusive uma vez ele foi hóspede de meu tio Augusto Simões Lopes quando ele era prefeito.  Meu tio e meu padrinho que depois foi deputado pelo Rio Grande do Sul e depois foi Senador pelo Rio Grande do Sul. Foi Vice-Presidente do Senado Federal.

CR – Augusto Simões Lopes administrou Pelotas antes de 1930?

LSL – É antes de 30….e depois de 30 também, porque ele foi duas vezes prefeito, no tempo do Flores da Cunha ele foi prefeito também!

CR – Depois ele foi também importante no processo de criação da VARIG não é?  Alberto Bins, o Cel. Pedro Osório, Augusto Simões Lopes, Otávio Rocha que era pelotense, foi prefeito de Porto Alegre.

LSL – Eu conheci Otávio Rocha….! Ele  foi também Deputado Federal!

CR – Otávio Rocha era um pelotense que administrava Porto Alegre quando Dr. Augusto administrava Pelotas?

LSL – Creio que não! Creio que Otávio Rocha serviu como prefeito de Porto Alegre quando era presidente do estado o Dr. Borges de Medeiros.

CR – Sem querer fugir do assunto…o Sr. acompanhou o processo de fundação da VARIG?

LSL – Não de perto não, mas conhecia muito o grande fundador da Varig, que era um homem de grande valor, que foi o diretor da Varig, mas eu me lembro que uma vez eu cheguei em Porto Alegre, isso muitos anos depois, e vi ele que era o presidente da Varig carregando malas de dentro do avião pra fora. E quando ele desceu de lá…eu perguntei a ele: o que você está fazendo aí? Carregando mala? Você não tem mais nem idade pra isso, que negócio é esse?  E ele me disse:  não eu tô ensinando a eles como é que se tira mala de avião! Rubem Berta era um homem assim! Antes havia  uma outra companhia que eu viajei nela, tinha uns aviões enormes, alemães, eu viajei nela, só fazia a rota Porto Alegre-Pelotas.

CR – DASP….a melhor coisa que o Sr. fez no DASP?

LSL – Bom…eu acho que a coisa mais importante que nós fizemos no DASP foi o seguinte:  Nós admitimos o sistema do mérito!  Dr. Getúlio Vargas, ditador, nunca mais assinou a nomeação de ninguém que tivesse sido aprovado num concurso. Mais ainda concurso todos feitos pelo DASP. Ele era obrigado a respeitar o concurso, mas não era obrigado a respeitar uma coisa que o DASP respeitava, que era a ordem de classificação, quer dizer o primeiro é o primeiro o segundo é o segundo, não se nomeava, só a medida que iam existindo vagas nessa ordem. Mas  acontece uma coisa que é muito importante, é que o DASP nesse tempo em que eu fui presidente, que depois que eu saí de lá nunca mais fez concurso nenhum no Brasil. Embora a constituição exija. Mas por isso os brasileiros são isso que a gente sabe.  A sua grande maioria gente muito boa, com a exceções que sempre  existem, são os assaltantes dos cofres públicos. Para eles próprios e para terceiros…os eleitores e os deles…essa é a regra. Um país dos mais desmoralizados na sua administração que há no mundo. No mundo elevado não existe de jeito nenhum isso que nós assistimos no Brasil.

CR – E puni-los tem sido impossível não?

LSL – É tem sido impossível….mas nós conseguimos. Porque nunca durante o governo Vargas se desrespeitava os concursos, então nós passamos em concurso mais de 200 mil candidatos desde diplomatas até serventes. Os mais altos cargos até em baixo! 200 e tantos mil candidatos…e só conseguimos aprovar 10 por cento. Em  outras palavras…reprovamos 90 por cento dos candidatos. Porque? Porque  eles eram inteiramente imcopetentes talvez mais competentes do que são hoje, porque hoje devem ser piores, especialmente os funcionários que não devem valer nada, porque são nomeados por “pistolões” políticos e a pior gente que há são os nomeados, porque são os cabos  eleitorais, os que tem a preferência dos políticos. Então isso me levou a um raciocínio, se nós….se o Brasil está tão mal preparado, que nós aí fizemos uma apreciação muito objetiva do nível de educação dos  brasileiros….se você reprovar 30 por cento até 40 por cento ainda vá, mas reprovar 90 por cento  mostra  a desqualificação completa do pessoal brasileiro…então aí é que me veio a idéia de criar uma instituição para preparar gente. Respeitado sempre o nível das ciências sociais mas gente que pudesse servir ao governo…aos governos, quer dizer federal, estadual e municipal e inclusive uma coisa que o DASP  fez muito importante   eu  consegui criar “DASPS” naquele tempo em quinze estados do Brasil. Com gente comandada por nós…gente de lá que nós preparamos etc….quinze estados fizeram instituições semelhantes ao DASP, ….bom mas aí voltando a esta minha idéia eu achei que era preciso preparar gente para servir ao governo e aos particulares os privados…então as duas primeiras escolas, uma de administração pública criada no Rio de Janeiro, pela Fundação Getúlio Vargas que eu criei em virtude dessa minha experiência no  DASP, mais então a Escola de Administração Pública criada no Rio de Janeiro e a Escola de Administração de Empresas criada em São Paulo são, em primeiro lugar, as primeiras escolas de administração criadas em toda a América Latina. A América Latina não conhecia o ensino da administração…na Europa também tava atrasado, a França não tinha escola de administração, mas os Estados Unidos já tinham há vários anos que eu conhecia bem…tinha freqüentado…tinha verificado essa problemática que era bastante difícil de você criar escolas de administração pública e privada semelhantes as americanas ou melhores porque lá tem ruins também.  E daí veio a criação da Fundação! Que abria um outro mundo pra mim, porque eu na minha vida eu tive dois sonhos, quando eu era muito moço fui funcionário do ministério da agricultura convidado pelo ministro de então que era do Dr. Miguel Ramó, eu….fui secretário da comissão  que organizou o serviço florestal no Brasil. Criei e fiquei…e achei aquilo tudo muito interessante então quando foi  pro Congresso o projeto e tal…foi aprovado e aí o  ministro me perguntou: você agora não gostaria de mudar de função, que você tem no ministério para esse novo serviço criado?  Eu respondi que gostaria sim! Então fui transferido de um para outro! E portanto fui  um dos fundadores do serviço florestal e nessa ocasião foi a primeira vez que o governo federal prestou uma homenagem a defesa da natureza, as árvores, naquele tempo já se chamava de conservação da natureza, etc….eu fui já o orador convidado e mais do que isso há cerca de 60 anos eu fui um dos criadores da primeira conferencia que houve no Brasil para defesa do Meio Ambiente  que nós chamava-mos de “Conservação da Natureza”…então isso aí mesmo sessenta, sessenta e poucos anos. (No momento o País preparava-se para sediar a Rio-Eco/92).  Agora  50 anos depois eu organizei a segunda conferência também….e até muito preocupado com essa conferência porque eu acho que o Brasil não tem gente competente para organizar essa conferência, para receber os maiores especialistas do mundo que vem todos para o Brasil. E o  Brasil teria a obrigação de apresentar trabalhos muito bem feitos a essa conferencia e a meu ver não tem gente para isso.

CR – Até o Príncipe Charles estará aqui, presente!

LSL – É…. eu conheço o Príncipe Charles pessoalmente, inclusive recebi das mãos dele uma condecoração que a Rainha da Inglaterra me deu. Eu sou uma função bonita lá na Inglaterra eu sou “Comander of the Justice and Pice” e quem me deu isso, quem me entregou essa…foi o Príncipe Charles na outra visita que ele fez ao Brasil….e mais voltando aos assuntos da nossa Fundação…um pouco mais nós conseguimos realmente coisas muito extraordinárias porque conseguimos do Presidente Vargas, por exemplo, e ele nos apoiou sempre, ele criou a Fundação Getúlio Vargas, e deu uma autorização para nós mandar-mos duzentos funcionários públicos federais por ano para estudar no estrangeiro, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França e isso melhorou muito o nosso quadro inclusive no DASP como eu fiquei muitos anos lá…

CR – Quantos anos o Sr. ficou no DASP?

LSL – Olha o DASP foi criado em 39…e eu saí quando caiu o Dr. Getúlio em 45…então nunca mais se realizou concurso nenhum no Brasil….até hoje! Os políticos não permitem isso porque….democracia em países desenvolvidos já é muito difícil você vê…um país sub-desenvolvido como o Brasil é muito difícil você manter um sistema democrático…é quase que impossível. O povo não está preparado para isso, nessa última eleição por exemplo vou citar o exemplo clássico que se passou inclusive aqui na nossa cidade de Pelotas…gente de…até de boa categoria! 30 milhões de brasileiros votaram num semi-analfabeto para presidente da república….que é o Lula…não é?  E quase que esse homem ganha a presidência da república!  Imagine esse homem discutindo os problemas internacionais na França, na Inglaterra,  nos Estados Unidos ou no Japão, etc…  um homem como o Lula que nunca trabalhou, não sabe nada e tem coitado um defeito numa mão parece que está há muitos anos aposentado só cuida de sindicalismo, greves e etc…isso é um problema.

CR – Você falou aqui em Pelotas…!

LSL – Aqui em Pelotas me disseram…me informaram que aqui os professores da Universidade Federal quase todos  votaram no Lula, o que eu acho uma verdadeira vergonha isso, uma entidade de gente culta.  Porque não é questão de política isso, porque você pensar  num homem semi-analfabeto para presidente da república isso é uma incoerência tão grande que só gente muito ignorante faz isso não é?  Então…o Brasil é um  país de ignorantes um país de analfabetos tem milhões, dizem que tem 30 milhões…mas pra mim tem 50 milhões de analfabetos pelo menos, porque o fato do sujeito escrever o nome dele não quer dizer que ele não seja analfabeto.  Eles tanto não sabem nada que 30 milhões de brasileiros votaram nele!

CR – O Sr. acompanhou a eleição aqui em Pelotas também….para prefeito?

LSL – Não aqui pra prefeito não acompanhei!

CR – Continuamos…!

LSL – Pois é…então a gente vê a dificuldade que é você ter um regime democrático em um país subdesenvolvido. Porque? Porque essa gente jamais seria eleita na Inglaterra, na Suíça, na França, Alemanha!  Pois é, pois é, é uma coisa lamentável, mas enfim nós temos que lutar contra isso de todas as maneiras! Mas outra coisa que é importante dizer que o serviço público não tem grande importância nos países desenvolvidos, porque a iniciativa privada é tão competente, tão eficiente, que ela faz o progresso do país. Mais os países subdesenvolvidos o governo tem muita importância, mais infelizmente o que a gente vê na América do Sul é isso…nós vemos depois daqueles escândalos incríveis do Perón na Argentina…depois que ele foi destronado na Argentina, o governo argentino fez uma espécie de exposição mostrando os bens da família Perón!  Era uma coisa  tão vergonhosa que o povo ia lá vê aquilo.  Pois bem…votam  no Perón até hoje! Porque? Porque não tem nível cultural suficiente pra reconhecer que o Perón, como esse que está lá, não tem nível suficiente para ser presidente da república!

CR – O que você acha da eleição de Leonel Brizola no Rio de Janeiro? Não faz uma ligação com Getúlio?

LSL – Não sei…talvez,…talvez seja isso. Mas um fato é que o Brizola tem muita força no Rio de Janeiro e aqui no Rio Grande do Sul. Porque? Jamais o Rio Grande do Sul elegeria o atual governador se não fosse o poder do Brizola!

CR – Você tem relações com o governador Leonel Brizola?

LSL – Tenho…eu o conheço desde menino, porque faz tantos anos que eu trabalhei lá…e ele se ligou na família dos amigos do Dr. Getúlio que eram vizinhos de estância lá na fronteira!

CR- Ele tem alguma chance de sonhar com a presidência?

LSL – Olha…eu acho que sim! Porque o Lula também tem não!?

Porque num regime presidencialista a presidência da república é de grande importância para o país…é evidente, nós temos visto o presidente Collor, coitado, nesta batalha em que ele está envolvido, ele já tratou dos mais variados assuntos  nesse anos de governo dele. Quando é que o Sarney falou nesses assuntos? Porque os políticos não estão  preocupados com isso mais esse nosso político está preocupado…aprova é que ele levantou questões importantíssimas para o país, quer dizer, é competência pessoal dele.

CR – Dr. Luis vamos retornar a Fundação Getúlio Vargas….

LSL – Eu vou lhe pedir um grande obséquio…me desculpe lhe pedir isso…mas nós queremos água…(risos)

CR – Dr. Luis…o Sr. criou a Fundação Getúlio Vargas…um depoimento sobre a EMBRAPA Pelotas que o Sr. criou, um depoimento sobre a alfândega de Pelotas que o Sr. criou, um depoimento sobre a Escola Técnica Federal de Pelotas que o Sr. criou, um depoimento sobre o Colégio Agrícola Visconde da Graça que o Sr. criou…é ai que vem aquela frase…Luis Simões Lopes, é o pelotense que mais fez por Pelotas!

LSL – Mas ai é que eu quero dizer que há um pouco de exagero nisso…porque? Porque por exemplo: a alfândega de Pelotas não fui eu só que trabalhei por isso não! Meu pai trabalhou, os políticos trabalharam, houve várias pessoas e outras entidades, inclusive aqui de Pelotas que se ocuparam disso, agora de fato eu tive oportunidade de fazer algumas coisas, por exemplo, vamos pegar a Escola Técnica, que eu acho uma das boas coisas que o Governo tem estimulado no país inteiro. Nossa escola de Pelotas é uma das melhores que o País tem, diga-se de passagem que depois das construções de escolas técnicas feitas pelo Dr. Getúlio Vargas nunca mais se construiu escola técnica nenhuma no país…e não se trata de só de  transformar o sujeito em escola primária, em ensinar ler e escrever, é  preciso criar profissionais, e profissionais você cria com escolas técnicas, daí a idéia de cria-las.  O Capanema que era ministro da educação, um ilustre brasileiro, eu tinha um grande apreço por ele, muita estima, foi ministro da educação durante nove ou dez anos, no período do Dr. Getúlio, e eu me lembro quando presidente do DASP trabalhava muito com os ministros, tinha muitos problemas a resolver com eles. Eu apreciava ele muito. Então ele um dia me disse: – Olha Luis eu você é chefe do orçamento, você precisa de dados, eu sei que não se cria nada sem que você ajude e tal, e eu queria muito criar uma escola técnica em Minas Gerais, em Belo Horizonte.   Eu aí lhe disse: – Olha…eu  tenho a maior simpatia por isso, eu uma necessidade para o Brasil, agora vou dizer uma coisa para você, eu queria que você criasse duas escolas técnicas… uma lá em Minas Gerais e outra em Pelotas. Porque Porto Alegre já tem sua Escola Técnica de longa data…é talvez…Parobé uma das escolas técnicas mais antigas do país inteiro…o Rio Grande do Sul foi pioneiro.

CR – Foi assim que surgiu a Escola Técnica de Pelotas?

LSL – É…eu falei depois com o Dr. Getúlio…disse! Olha eu falei com o Capanema sobre isso agora quero lhe pedir pro Sr. para o Sr. concordar…e tal, afinal Pelotas é a segunda cidade do Estado e não tem uma escola técnica.