EDITORIAL DO TREZE: A FALTA DE FORÇA POLÍTICA DE PELOTAS

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TREZE HORAS – EDITORIAL

Vacinas. O fato merece uma atenção especial, pois é revelador: A falta de ação política dos parlamentares eleitos por Pelotas. Quando algo sai fora do razoável numa comunidade, as vozes que a representam são chamadas. Quais são essas vozes? os gestores, eleitos pela população; os agentes públicos; os parlamentares – que receberam a atribuição de voz ativa junto aos organismos municipais, estaduais e federais; e também a imprensa.

Pelotas se superou negativamente com seus idosos nesta semana, em relação as vacinas contra Influenza (gripe). Estamos vivendo uma crise sem precedentes na área da saúde e toda a determinação do poder público passa a ter uma simbologia de ordem. Contrariando isso, a cidade viveu uma série de informações contraditórias e revelou um precário atendimento ao seu munícipe, em última análise aos eleitores. A escassez de doses de vacina incorreu numa série de mal entendidos e explicações sem efeito.

Vamos aos fatos: Houve um chamamento – em meio a necessidade dos idosos ficarem em em casa – para que pessoas acima de 60 anos, a partir do dia 25 de março se dirigissem as Unidades de Saúde e o Centro de Especialidades para a chamada ‘Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza (gripe)’, que iria iniciar naquele dia. Seriam vacinados nos dias 23 e 24 os profissionais da saúde, por estarem expostos na linha de frente do combate ao coronavírus e no dia 25, quarta-feira, começaria a aplicação de doses em idosos, de acordo com faixas etárias estabelecidas previamente e informadas através dos mais diversos meios e de acordo com o calendário determinado pela Secretaria de Saúde (SMS). Muito bem. Surpreendentemente para os idosos e até mesmo para a prefeita Paula Mascarenhas, que reagiu nas redes sociais, a cidade recebeu apenas duas mil doses de vacinas e que foram destinadas aos profissionais da área da saúde que ainda não haviam sido imunizados contra a gripe.

Somente a prefeita Paula Mascarenhas se manifestou indignada em relação ao recebimento de apenas duas mil doses de vacinas na sua primeira remessa. Em que pese a cidade tenha eleito um deputado federal – Daniel Trezciak – e dois deputados estaduais – Fernando Marroni e Luis Henrique Viana – e ainda tendo a frente da Secretaria Estadual de Saúde, a ex-secretária municipal (Arita Bergman), a única voz que se indignou com o tratamento dado pelo Ministério da Saúde à cidade, foi tão somente da prefeita Paula.

Ela própria desabafou dizendo que “O governo federal anunciou a antecipação da vacinação para o dia 23 de março em resposta ao coronavírus, mas criou com isso uma enorme expectativa na sociedade e nos governos e depois não conseguiu cumprir”, explicou Paula, não escondendo a insatisfação em ter que anunciar a suspensão da vacinação dos idosos e pedir que aguardassem em casa a chegada de um novo lote.

Seguem os fatos: Um novo lote chegou e mais uma vez não foi suficiente para o atendimento ao público alvo – Idosos. Na metade da manhã de quinta-feira, 02.03 (ontem), os postos de saúde não tinham mais doses de vacinas contra a Influenza e, mais uma vez a frustração se fez presente na população acima de 60 anos, que novamente saiu de casa para acorrer ao chamamento do poder público. Mais uma vez a prefeita vai as redes sociais pedir desculpas em meio ao silêncio, também, da secretária de saúde, Roberta Paganini.

O que fica deste episódio, que ainda não está encerrado, é a evidência explícita da falta de força política de Pelotas nos momentos mais necessários. Força junto aos organismos estaduais e nacionais. Nos parece que de nada valeu a cidade ter um deputado federal e dois estaduais. Nossa força está ativa na hora de bem providos sorrisos nas redes sociais e prestação de homenagens supérfluas. Porém, quando houve a crucial necessidade de imposição estratégica, a voz forte junto a organismos que decidem, deixamos a desejar. Estamos percebendo hoje, claramente, que a representação política não se faz presente ou, pior – não tem clamor. Os discursos de campanha de nada adiantaram nessa hora dramática das pessoas.

O Treze Horas conclama os eleitos que revisem seus pensamentos e ordenamentos, pois a população está solicitando uma ação de base e não de cunho midiático. Justamente nessas horas de drama e de necessidade conjunta da sociedade é que o parlamentar deve dar a sua contribuição inequívoca. Bastam os sorrisos de redes sociais com factoides mofados. Não é hora de alegria! Estamos vivendo um momento crítico da sociedade e o homem público tem o dever se sentir os dramas alheios, como dizia o integrante da mesa Treze jornalista Deogar Soares.

O Treze Horas, neste editorial, se solidariza com a população idosa e revela – como é seu papel e dever – a sua crítica a atuação dos parlamentares eleitos por Pelotas e a falta de entendimento entre os setores da área da saúde.

Pelotas, 03 de abril de 2020