ARTIGO – UM CARNAVAL VENEZIANO

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UM CARNAVAL VENEZIANO

Ivon Carrico*

Sempre tive muita curiosidade por Veneza e, também, seu Carnaval. Assim, em fevereiro de 2015, após alguns dias em Milão, eu e a Vera tomamos o trem e fomos pra a Costa do Adriático. Sim, Veneza!

Desembarcamos, tarde da noite, na Estação de Santa Lucia e pegamos o ‘transfer’ de barco para o hotel. Era uma noite fria e chuvosa. Escura.

E o barco singrando as águas daqueles canais que pareciam um verdadeiro labirinto.

Enquanto navegava observava aqueles magníficos palacetes, em torno do Grande Canal, que são uma verdadeira narrativa histórica de Veneza. Sim, a Arquitetura tem esse propósito. Daí o fascínio exercido.

Por sua vez olhava, olhava e não via uma viva alma naqueles prédios, pontes e canais. Lembrei-me, então, da famosa canção do Charles Aznavour: “Que C’est Triste Venise”. Aí, percebi que o famoso ‘chansonier’ francês tinha, então, toda a razão – Veneza era (é) muito triste.

Mas, nem eu e, tampouco, a Vera desanimamos. E nem poderíamos. Pois era Carnaval. E, em Veneza.

Mas, nem eu e, tampouco, a Vera desanimamos. E nem poderíamos. Pois era Carnaval. E, em Veneza.

Depois do descanso, no outro dia, fomos – obviamente – circular pelos pontos famosos da cidade, ocasião em que vimos alguns turistas nas cercanias da Piazza San Marco. Nesse local está a plenitude de Veneza com sua Basílica homônima, o Palácio Ducal (onde residiam os Doges) e o famoso Campanário.

Bem, andamos, andamos e nada de perceber o tríduo carnavalesco. E, assim, ficamos boa parte daquela manhã até que, de repente, surgiram algumas pessoas com roupas de época e máscaras.

Perguntei se era algum desfile. Resposta: eram atores, amadores, contratados pela Prefeitura para circularem entre os turistas para, assim, evocarem o famoso Carnaval Veneziano. Também, não havia música alguma. Um silêncio sepulcral. Nos outros dias foi a mesma coisa.

Claro que a nossa decepção foi enorme. Óbvio que não tínhamos nenhuma expectativa de algo similar aos desfiles na Marquês de Sapucaí, no Rio. Ou com a alegria e a espontaneidade do novo povo. Mas, considerando a história e a tradição esperávamos por algo melhor. E, inédito. Não aconteceu.

Assim, ainda no período momesco pegamos o trem e fomos para Munique, na Alemanha, para conhecer e desfrutar destes dias no famoso Carnaval da Baviera. Que foram bem mais alegres. E festivos.

Hoje, aqui no nosso Brasil, às vésperas do Tríduo Momesco, desse Carnaval Pandêmico, com chuva, tempo sombrio, sem público, sem celebração, sem alegria, e muita tristeza pelos trágicos acontecimentos, tenho a sensação de estar em Veneza. Estou me referindo ao momento. Claro que a cidade é belíssima e merece ser visitada.

Trazida esta lembrança e dada a similaridade celebremos, então, em casa. Como se estivéssemos na Baviera. Entendam a circunstância. O momento a que me refiro. (Ivon Carrico – Brasília: 12/02/2021).

*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, mais de duas década de ANVISA e atualmente está na Presidência da República.