ARTIGO – A GRITANTE OMISSÃO DO PODER PÚBLICO

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Às quintas-feiras, quando chego para iniciar o dia na emissora, por volta das 6h15min da manhã, lá está o rescaldo da noite / madrugada anterior, na frente da UCPEL.

ARTIGO – A GRITANTE OMISSÃO DO PODER PÚBLICO

Paulo Gastal Neto*

Tenho dito no Treze Horas e no programa Bom Dia R.U. – que apresento diariamente das 7h às 9h de segundas às sextas-feiras – na Rádio Universidade, que a rua Gonçalves Chaves entre Dom Pedro II e Três de Maio, virou ‘terra de ninguém’. Às quintas-feiras, quando chego para iniciar o dia na emissora, por volta das 6h15min da manhã, lá está o rescaldo da noite / madrugada anterior, na frente da UCPEL. As provas: garrafas quebradas que são arremessadas ao alto; vidros quebrados, sacos de plástico que continha gelo, excrementos humanos, latas e latas de cerveja, copos e garrafas plásticas, preservativos usados, enfim, o que restou da ‘terra de ninguém’ que aconteceu minutos antes (foto acima).

Moradores, poucos, me aguardam para relatar que testemunharam a venda e consumo de drogas, ato sexual em via pública ou dentro de carros, som com volume de ensurdecer qualquer mortal, urina nas portas de suas casas, edifícios e comércios. Esse é o quadro: uma série de irregularidades contra a lei e crimes são cometidos sem que a ação das forças públicas atuem de forma veemente e constante para fazer cumprir a legislação e impedir a desordem. Os representantes das Secretarias de Transporte e Trânsito, Qualidade Ambiental, Governo, Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana e Segurança Pública  fazem vistas grossas com a complacência do paço municipal. Ora a Universidade é uma parceira de primeira hora da cidade e região, sobretudo nas questões de saúde e a reciprocidade que recebe é o descaso.

Mas tem mais: para espanto geral, leio na edição desta sexta-feira, 13.01, do Diário Popular (que também atenta para o problema), que o secretário de segurança do município, que até frequentou o Treze Horas, afirmando que os órgãos de segurança não têm recebido reclamações a respeito à perturbação do sossego no entorno da UCPEL. Esse tratamento do poder público pelotense é no mínimo um deboche diante do munícipe que cumpre com suas obrigações tributárias, necessita de uma noite de descanso para trabalhar no dia seguinte, quer uma resposta de seus agentes públicos. Essa declaração vinda de um secretário da área de segurança, revela desconhecimento total das coisas que acontecem na cidade. É a constatação da inaptidão para o cargo.

Em certas ocasiões Pelotas se abandona. Se retrai. Foge das suas obrigações. Parece que é cíclico. Quando chego todas as quintas-feiras, cedo da manhã, para iniciar o meu dia na UCPEL e recebo as queixas das pessoas, algumas mais velhas do que eu, percebo que o rádio é a última – talvez a única instância de voz – desses moradores. Fico pensando em quantos outros locais não deve ocorrer a mesma coisa numa cidade grande como Pelotas. Mas o pior: nada será feito. Essa resenha se arrasta há anos e o problema não é definitivamente resolvido.

Me entristece ao ver a minha cidade abandonada pelas forças públicas e de segurança também. É constrangedor o silêncio e a ineficiência. Como tenho dito: estamos retrocedendo como seres sociais, infelizmente.

*Radialista e editor do site do Pelotas Treze Horas – www.pelotas13horas.com.br