MEMÓRIA DO TREZE HORAS: YOLANDA PEREIRA

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Yolanda Pereira – MISS UNIVERSO 1930 – no estúdio ainda improvisado do Banlavoura, hoje Edifício do Santander. Foi também Edifício do Banco Real. Sentada na mesa principal, nos anos 80, com o microfone a sua frente e um suco de laranja. Naquela noite Yolanda receberia a Figueira de Bronze, uma marca do Treze naquele período. MEMÓRIA DO TREZE HORAS.

O ‘MEMÓRIA DO TREZE HORAS’ deste domingo destaca o dia em que a MISS UNIVERSO – nascida em Pelotas, Yolanda Pereira, participou do programa, nos anos 80. O estúdio já não era mais no prédio da Universidade Católica de Pelotas e sim no Edifício Banlavoura – como era conhecido o prédio. Há pouco tempo o Treze Horas havia se transferido para lá, quando a Miss Universo pelotense veio a sua cidade natal para receber uma honraria do jornalista Clayton Rocha – a Figueira de Bronze. Yolanda Pereira nasceu em Pelotas em 16 de outubro de 1910 e morreu no Rio de Janeiro em 4 de setembro de 2001. Foi a primeira brasileira a conquistar o título de MISS UNIVERSO, em 1930, embora este título não seja reconhecido oficialmente pela Miss Universe Organization nem tenha qualquer ligação com ele.

A história do título vem da década de 20, quando existia um concurso internacional de beleza nos EUA chamado Desfile Internacional de Beleza e concedia o título de “Miss Universo” à vencedora. Esta edição de 1930 foi realizada paralelamente no Brasil, criada por brasileiros, ao mesmo tempo da edição norte-americana, que era realizada em no estado do Texas. Ele foi motivado por uma revolta de brasileiros com a não-classificação de Olga Bergamini, a brasileira participante do concurso de 1929, o que os levou a criar seu próprio evento.

A pelotense Yolanda Pereira – MISS UNIVERSO

TRAJETÓRIA

A primeira etapa das conquistas de Yolanda, o título de Miss Pelotas, foi conquistado através do sufrágio popular, tendo ela sido a candidata mais votada, com 4.202 votos. Em Porto Alegre, concorrendo com as demais candidatas, sagrou-se Miss RS, em concurso patrocinado pelo extinto jornal Diário de Notícias.

Na então capital federal, o Rio de Janeiro, embora não alimentasse esperanças de vitória, ela foi escolhida como a MISS BRASIL.

O concurso internacional, à parte do de Galveston, foi realizado no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, com o nome de International Beauty Contest. O país tinha seus jurados em desvantagem, e o resultado final estava na dependência dos jurados europeus, sendo que a favorita era a MISS PORTUGAL. Mas a escolhida foi Yolanda. Em agosto de 1930 Yolanda foi proclamada “Miss Universo”. O parecer da comissão julgadora levou em conta quesitos como beleza, graça, equilíbrio, proporção, formas e distinção. Os jurados também estiveram atentos ao tipo étnico e à visão do conjunto.

O promotor do concurso era o vespertino carioca A NOITE, a quem Yolanda concedeu a primeira entrevista, falando de sua surpresa pelo resultado. Disse que não esperava, que não alimentava tal ambição, e que apenas se preocupava com o desejo de desempenhar da melhor maneira possível o papel de Miss Brasil. Yolanda morreu com 90 anos, no Rio de Janeiro.