EX-GOVERNADORES DO RS / 5 – VICENTE BOGO

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Vice-governador do RS, Vicente Bogo ao lado de Clayton Rocha e Paulo Gastal Neto, em Portugal – 1997 – por ocasião do lançamento do Projeto Luso Grande do Sul: Brasil 500 Anos.

O Treze Horas no seu espaço ‘Memória do Treze Horas’ dá sequencia a série com os ex-governadores do Rio Grande do Sul. Suas passagens ligadas a Pelotas, suas visitas ao Treze Horas e seu vínculos com a cidade, sejam eles através de ações políticos administrativas ou até mesmo sentimentais. No caso de hoje – Vicente Joaquim Bogo –  um vice-governador que exerceu o cargo mais de uma centena de vezes e acabou assumindo no último dia de mandato, merece ser incluído pelos vínculos e dedicação para com Pelotas e Região Sul do Estado. Foi um dedicado parceiro como gerenciador de projetos em nível estadual e federal. Vicente Bogo é o quinto governador do RS na série Ex-Governadores que tiveram ligações com o Treze Horas. Assim como já veiculamos Jair Soares, Sinval Guazzelli, Alceu Collares e Tarso Genro, hoje é a vez de Vicente Bogo. Lembrando que Pelotas sempre foi roteiro político obrigatório no RS para quem entendesse que ‘vencer as eleições no estado era possível’. E assim foi com todos aqueles que estão sendo lembrados nessa série.

Vicente Bogo foi presença constante no Treze Horas nos tempos de vice-governador e no exercício do cargo.

Vicente Joaquim Bogo, foi vice-governador do RS, porém foi Bogo, na condição de governador que transmitiu o cargo à Olívio Dutra em 1º de janeiro de 1999. Britto negou-se a continuar no cargo e passar para o petista, indo morar na Espanha antes da transferência de cargo. Com sua renúncia Bogo assumiu o governo do estado, como já havia feito outras 100 vezes durante o mandato de Britto. Vicente Bogo é catarinense, nascido em Rio do Oeste, em 1957. Vem de uma família de 12 irmãos criados na agricultura. É licenciado em Ciências e Matemática (licenciatura curta); Licenciado em Filosofia e Psicologia (licenciatura Plena); Pós-graduado em Educação com Especialização em Administração Escolar; Pós-graduado em Filosofia Política e Pós-graduação em Sociologia (UFRGS). Dedica-se ao estudo da Ontopsicologia. Lecionou em todos os níveis de ensino. Lecionou no Colégio Santa Rosa de Lima (LIMINHA) em Santa Rosa; na FIDENE – Fundação de Integração e desenvolvimento do Noroeste do Estado do RS, mantenedora da atual UNIJUÍ; FARS – Fundação dos Administradores do RS; na FIJO – Fundação Irmão José Otão, da PUC/RS; na ULBRA – Universidade Luterana do Brasil (Canoas) e, no momento, no curso de Pós-graduação em Alta Política nas Faculdades Monteiro Lobato, em Porto Alegre.

Iniciou sua carreira política em 1982 em Santa Rosa, como suplente de vereador. Em 1986 elegeu-se deputado federal constituinte, atuando na defesa do segmento agrário, empresarial e da cidadania. Na Assembleia Nacional Constituinte apresentou 111 projetos (emendas) obtendo a aprovação de 32. A mais relevante foi a que assegurou o direito de aposentadoria aos Trabalhadores Rurais (homens e mulheres). Em 1988 esteve entre os fundadores do PSDB Nacional e no RS.

Exerceu o mandato de vice-prefeito de Santa Rosa de 1993 até 1994. Neste ano, elegeu-se vice-governador do Rio Grande do Sul, na chapa de Antônio Britto, cargo que exerceu de 1995 1 1998. Substitui o governador no exercício do governo 101 vezes. Enquanto Vice-governador, dentre outras contribuições, estruturou o RECONVERSUL (Programa de Revitalização da Metade Sul do RS). Procurado pelas principais lideranças do cooperativismo gaúcho encaminhou a criação do RECOOP (Programa de Revitalização das Cooperativas Brasileiras) no Governo de Fernando Henrique Cardoso. Entre 1999 e abril de 2006, atuou na presidência do Sindicato e Organização das Cooperativas do RS e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (OCERGS-SESCOOP/RS). Em 2002, foi candidato a senador pelo PSDB em dobradinha com Odacir Klein (PMDB). De 2007 a 2011 presidiu a BAGERGS (Banrisul Armazéns Gerais S.A.). Desde 2007 tem se dedicado a estudar biotecnologia de soluções não químicas, desenvolvida pelo Dr. Pierluigi Semenza (físico-químico Italiano). Entre 2013 a 2015 foi consultor da Prefeitura Municipal de Viamão, onde colaborou na preparação de vários projetos de lei (Proteção dos Animais; Cooperativismo e Associativismo) e na organização de várias organizações sociais.

Ao lado do Jornalista Henrique Pires – Equipe Treze Horas – na Embaixada do Brasil em Portugal, em evento comemorativo aos 500 Anos do Descobrimento do Brasil. Bogo foi um dedicado apoiador do Luso Grande do Sul, projeto do Treze Horas para as comemorações do V Centenário do Descobrimento do Brasil.

VICENTE JOAQUIM BOGO   

Por Clayton Rocha     

Quando ele soube que Pelotas, através de UCPel e UFPel, estava no centro dos acontecimentos, a sua decisão foi marcante: o Governador do Estado acompanharia a missão do “Luso Grande do Sul” a Portugal. Vicente Joaquim Bogo dava mais uma vez demonstrações de valorização da Zona Sul, ele que nascera em outra região do Estado. Recebido em Aveiro pelo reitor Júlio Pedrosa, futuro ministro da Educação de Portugal, gabinete de António Guterres, ele aproveitou o ensejo para mostrar o RS ao Centro Norte do país. Discursou na Associação Comercial e Industrial de Aveiro, visitou estandes, fez palestra na Universidade de Aveiro, e fortaleceu os laços entre a cidade anfitriã e Pelotas, por conta da Irmandade que as une historicamente. Depois dele, apenas Jorge Alberto Grill, médico filho de Pelotas e vice-Governador de Tarso Genro, acompanharia uma missão gaúcha a Portugal durante as comemorações dos 500 anos do Brasil. As cidades de Aveiro, Águeda, Albergaria-a-Velha no norte, e Lisboa, a capital, levaram a sério o projeto gerado em Pelotas, e caberia ao embaixador brasileiro Jorge Konder Bornhausen e ao ex-presidente de Portugal Mário Soares, abrindo os salões da Embaixada brasileira na capital portuguesa, dar guarida às áreas culturais das Universidades envolvidas. Estas, de sua parte, inauguraram mostra fotográfica de um sul do Brasil fortemente vinculado à cultura portuguesa, inauguraram rede internacional de rádio que envolveu os países de língua portuguesa e oficializaram o Seminário sobre a Colonização portuguesa no Sul do Brasil, além da presença negra nas cidades de Pelotas e de Rio Grande.

Uma presença constante na zona sul do estado durante o mandato de vice-governador.

PALÁCIO ABERTO                                           

Vicente Bogo, vice de Antônio Britto, assumiu o governo gaúcho com a missão de coordenar o processo de transição no RS, a partir da eleição do petista Olívio Dutra, o Governador que iria assumir o comando do Palácio Piratini. E o fez com grandeza, estabelecendo pontes de elevado espírito público e de sinais permanentes de cordialidade. A transição no RS foi considerada, apesar dos temores iniciais durante a era Britto, num dos processos mais tranquilos da história gaúcha.

Com Paulo Gastal Neto no estúdio da Rádio Universidade. Uma sólida amizade contruída.

DEBATE 13 HORAS                     

Por ocasião de suas inúmeras visitas ao Sul do Estado, o Governador Vicente Joaquim Bogo marcou presença no salão de debates do 13 Horas, por ele considerado como sendo “a fonte geradora de projetos de cunho regional”. Ainda, recentemente, durante entrevista de rádio, o ex-vice Governador e ex-Governador do RS voltou a destacar essa capacidade histórica do debate de 42 anos da Católica de Pelotas:- “Veja-se, a partir de 2013, a iniciativa do 13 H de acordar a Metade Sul para a necessária duplicação da br-116”. Vicente Joaquim Bogo disse que a feliz ideia de fortalecer uma Rede Sul-Riograndense de Rádio em toda a região abriu caminho para uma integração regional sem precedentes numa região que dificilmente vinha a público em defesa de causas de abrangência Estadual. Por todas essas razões, “eu próprio, um ex-governante, me senti no dever de transmitir uma palavra de estímulo, o que fiz ao microfone pioneiro em grandes ideias da Universidade Católica de Pelotas.