ARTIGO – MULHERES NA GOVERNANÇA

341
Cristiane Nardes, hoje diretora de Governança do Instituto Latino-Americano de Governança e Compliance Público (IGCP) e fundadora da Rede Governança Brasil (RGB), destaca a relevância das mulheres na Governança Pública. Foto: Arquivo pessoal.

Mulheres na Governança

Eduardo Gil da Silva Carreira*

Em termos gerais, Governança é utilização de mecanismos de liderança, estratégia e controle para avaliar, monitorar e direcionar a gestão com objetivo produzir melhores políticas públicas e serviços adequados. Uma das pioneiras no estudo da Governança, Cristiane Nardes, hoje diretora de Governança do Instituto Latino-Americano de Governança e Compliance Público (IGCP) e fundadora da Rede Governança Brasil (RGB), destaca a relevância das mulheres na Governança Pública.

Promover a participação plena e efetiva das mulheres, com igualdade de oportunidades em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública é um desafio global. A ausência feminina nesses espaços é perceptível e os números expõem o desequilíbrio. Em recente evento, Cristiane Nardes apresentou dados referentes à atuação das mulheres na política, demonstrando que o Brasil está na posição 94˚ no índice de desigualdade de gênero (IDG), na comparação entre 146 países, ficando bem atrás de países como o Moçambique (34º) e Bolívia (51º). Notadamente em países mais avançados, a mulher tem um papel mais efetivo no desenvolvimento, contribuindo para o crescimento da sociedade e tendo maior valorização em sua carreira. A Coordenadora do Comitê Governança no Poder Legislativo da RGB, Alzira Fernanda Brasil, destaca a presença e atuação feminina na rede, enfrentando os desafios da implantação das boas práticas de Governança, e gerenciamento de crises no âmbito governamental, com um profundo desejo de transformação. Pesquisa feita pela mestranda Monique Cardoso, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com empresas brasileiras, relaciona a liderança feminina com melhores resultados em ESG (Environmental, Social and Governance), e indicam que a presença feminina faz bem aos negócios e traz lucros maiores e por mais tempo. Contudo, ainda há resistência em derrubar as barreiras da diversidade, mesmo diante dos números, permanecendo inalterado o percentual de gestoras nas últimas décadas.

Em que pese o caminho da inclusão esteja sendo trilhado, resta evidente que ainda é muito pouco, devendo a temática ser constantemente abordada por meio de debate propositivo, para que tenhamos mais mulheres em cargos de liderança, em diferentes espaços. As duplas e mesmo triplas jornadas femininas dificultam o desenvolvimento educacional e profissional. Há diversas situações limitantes, que margeiam a discriminação de gênero, o que integra o dilema ético das organizações. Ainda, o inconsciente que considera as mulheres não aptas para determinadas carreiras ou funções; os assédios morais e sexuais; síndromes de impostoras (que são as próprias mulheres se julgando incapazes para evoluir em suas carreiras); o dilema entre a maternidade e carreira; a falta de apoio para cuidar dos filhos ou dos pais; e retaliações e perseguições que podem interromper uma carreira virtuosa, e impedem de alcançar funções de destaque.

Para progredir para uma sociedade mais justa, a diferenciação de gênero precisa ser observada, a fim de potencializar a colaboração feminina com as organizações por meio da diversidade de seus pensamentos, incrementando a criatividade e a inovação, resultando benefícios para sociedade. A representatividade das mulheres na Governança de organizações públicas e privadas, deve ser valorada e tratada com comprometimento, de forma a tracionar a presença feminina como agentes atuantes de transformação.

*Eduardo Gil da Silva Carreira
Advogado OAB/RS 66.391
Membro do Comitê Governança no Poder Legislativo
da Rede Governança Brasil
Pós-Graduando em Governança Pública – EBRADI