ARTIGO – COVID-19: ALGUMAS REFLEXÕES

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José Luiz Kessler é Engenheiro Agrônomo e ex-presidente da Associação Rural de Pelotas

COVID-19: ALGUMAS REFLEXÕES

José Luiz Martins Costa Kessler*

No alvorecer de 2020 o mundo foi sacudido pela notícia que contagiosa virose se espalhava rapidamente pelo planeta. O alerta soou e em pouco tempo obteve-se o diagnóstico de que nova cepa de coronavírus se aproximava de cada um de nós e, dia após dia, noticiava-se seu rastro de destruição e morte. Atônita com esse agente desconhecido, a sociedade humana buscou encontrar formas para enfrentar a crescente e temida pandemia. Em todo o planeta inúmeros pesquisadores, profissionais especializados e líderes políticos se esforçaram para estudar, analisar e propor medidas sanitárias com a urgência que a situação exigia.

Nesse cenário, o desenvolvimento tecnológico, a capacidade científica, a conectividade digital e a velocidade no fluxo de informações entre as nações, ofereciam alento à busca da cura e ao aprendizado compartilhado. Ao mesmo tempo, a realidade vivenciada conscientizava-nos sobre nossas fragilidades e da nossa inevitável temporalidade. Criava-se expectativa para persistente solidariedade entre os homens. O que se observou, porém, com o passar do tempo, foi o crescimento de atitudes condenáveis como hipocrisia, autoritarismo, desonestidade e o incitamento à divisão da sociedade. Enfim, sentimentos menos nobres se sobrepuseram às nossas virtudes mais belas e grandiosas, implicando em imensa derrocada sobre o que parecia ser o ideário para fé e esperança na espécie humana.

Nesta Babel da modernidade, assistimos com tristeza a imposição de perversa agenda de medidas tão destrutivas quanto a própria epidemia, que fez com que a oportunidade de união, empatia e acolhimento, fosse sufocada por conflitos, agressividade e intolerância. Em nosso país e em todo o Ocidente, a pandemia passou a justificar a implantação de não comprovados protocolos sanitários que aceleram a destruição de já combalidas economias, propiciam o uso indevido e a malversação de recursos públicos, além de legitimarem a subtração da liberdade e de outros direitos fundamentais dos indivíduos. A meta de conter a propagação e de encontrar soluções para enfrentar o vírus foi desviada para inconfessáveis projetos de poder e de ambição desmedida, independentemente do local em que a luta se travasse.

No Brasil especialmente, a contagiosa moléstia, foi o estopim para o desmedido crescimento do ativismo judicial, para significativos ataques à política de responsabilidade fiscal e ao combate aos denominados crimes do colarinho branco, tão bem representado pela “Operação Lava Jato”, além de provocar, de forma indisfarçável, a antecipação da disputa eleitoral prevista para outubro de 2022. A sociedade brasileira, incrédula, assiste a impactante e devastadora moléstia ser usada em articulada e avassaladora campanha, que desrespeita e conspira contra a opção por uma economia liberal e pela ética cristã conservadora, democraticamente vitoriosa nas eleições de 2018. De forma casuística e através de manipulada e desonesta narrativa, seus atores defendem espúrios mecanismos para proteção dos feudos políticos que há tantos anos provocam atraso, injustiça, corrupção e erosão dos valores tradicionais da sociedade brasileira.

Assim impactados, resta-nos acreditar que a resiliência, a honra, a dignidade e a fé no bem comum sejam o combustível para que a grande maioria da sociedade brasileira não desista do Brasil, e cerre trincheiras contra os repetitivos ataques à nossa Constituição e às legítimas escolhas determinadas pelas propostas contidas no projeto do presidente eleito.

Pelotas, 22 de abril de 2021.

*Engenheiro Agrônomo e ex-presidente da Associação Rural de Pelotas