ARTIGO – AS NOSSAS FORÇAS ARMADAS

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AS NOSSAS FORÇAS ARMADAS
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Ivon Carrico*
De Arraias/Tocantins: 28/01/2023
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Muito se tem falado sobre o papel das nossas Forças Armadas ao longo do Governo Bolsonaro e, por ocasião da recente transição governamental.
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Colunistas e Analistas na mídia impressa e eletrônica identificam um caráter sempre intervencionista das nossas Instituições militares.
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Inclusive, afirmando que – desde a Guerra do Paraguai – em especial, nosso Exército não fez outra coisa senão patrocinar golpes.
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Começando, dentre outros, com a Proclamação da República, passando pelo Movimento de 1964, e chegando aos dias atuais com o fatídico 08 de janeiro, quando houve a incrível e absurda depredação das sedes físicas dos 03 Poderes.
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Para melhor contextualização lembro que – sob o Regime Militar, experimentado no período de 1964 a 1985 – o Governo do General Ernesto Geisel (1974/79) lançara as bases para a volta à democracia, quando afirmava que ocorreria uma abertura do Regime e que esta se daria de uma forma ‘lenta, gradual e segura’.
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Em seu desiderato, no entanto, o Presidente Geisel encontrou enorme oposição em alguns segmentos das Forças Armadas. Como quando, em outubro de 1977, foi obrigado a exonerar o General Sylvio Frota, o então todo poderoso Ministro do Exército. E, ainda, em 1978, quando defenestrou o também poderoso General Hugo Abreu, Chefe do Gabinete Militar, o que seria hoje o GSI.
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Já, no Governo Figueiredo (1979/1985) houve – em 1981 – o conhecido atentado a bomba no RioCentro. A ação fora perpetrada por militares linha dura, contrários à abertura do Regime, ideia esta que – também – fora encampada pelo Presidente Figueiredo.
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Esse episódio terminou por acelerar o fim do Regime de exceção vivido pelo Brasil. E, antológica, inclusive, foi a saída de cena do General Golbery do Couto e Silva, figura emblemática do Regime Militar.
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Mas, assim como em 1977, em 1978, em 1981 e agora – quando da ação desses extremistas – a forte resistência das forças legalistas (amparadas por grande parte do estamento militar) não permitiu o avanço do sinal com o fechamento do Regime mediante a deposição dos Dirigentes.
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Isso mostra e – nos ajuda a entender, então – que as nossas Forças Armadas, como as demais Instituições, também estão sujeitas a essas idiossincrasias da vida política nacional. Daí a conturbada atuação, com – as vezes, atuações bem sucedidas. E, em outras, com muitos revezes.
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O melhor antídoto para isso, então, tem de ser o caráter apolítico a ser adotado para a sua doutrina.
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*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília: 28/01/2023
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