ARTIGO – A SEGUNDA ONDA

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A SEGUNDA ONDA

Jerônimo Goergen*

Fui contra o adiamento das eleições por acreditar que o tempo adicional de um mês e meio apenas jogaria o problema para frente, aumentando a exposição de candidatos e eleitores ao novo coronavírus. Defendi a realização do pleito em outubro. Fui voto vencido. O que vimos nos últimos três meses foi um relaxamento completo das regras de distanciamento social. Por alguma razão que ainda não compreendemos, a população achou que estava imune e a redução do número de mortos e infectados passou a falsa sensação de volta à normalidade.

As viagens foram retomadas, as atividades sociais e tudo aquilo que leva à aglomeração de pessoas. Inclusive a realização de uma campanha municipal, onde o pedido de voto é literalmente no corpo a corpo, de casa em casa. O descontrole foi total. Pude notar um certo encorajamento das pessoas que já tiveram Covid-19. Acreditando na imunidade garantida, passaram a circular com desenvoltura e exercer suas atividades normalmente, como se não fosse possível carregar o vírus nas roupas, solas de sapatos e mãos a partir do contato com superfícies potencialmente infectadas. Ou seja, o distanciamento social precisa ser mantido mesmo pelos recuperados. Além disso, não está claro se existe ou não a possiblidade de reinfecção.

Os municípios do interior, antes considerados ilhas de segurança, agora vivem o drama da segunda onda, que se abate como um tsunami nos serviços de saúde. Com poucos leitos ou quase nenhum, sem tomógrafos, o que se observa é uma verdadeira corrida de ambulâncias e carros particulares levando e trazendo pacientes para os centros regionais de saúde, todos eles superlotados. Nesse vai e vem de veículos e pessoas, só aumenta a circulação do vírus e o contágio em emergências superlotadas. Sem um plano de imunização definido, cabe a todos nós redobrar os cuidados, usando máscara e higienizando nosso corpo e o ambiente onde vivemos. É fundamental manter as regras de distanciamento social para que a economia continue funcionando.

Não podemos cogitar um novo lockdown das atividades econômicas, logo agora que estamos conseguindo recuperar os enormes prejuízos. Dessa forma, teremos condições e um pouco mais de tranquilidade para passar as festas de final de ano em segurança. E, principalmente, para que possamos seguir vivos.

*Deputado Federal Jerônimo Goergen (Progressistas-RS)

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