MORRE FOTÓGRAFO WILSON LIMA

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Seu Wilson – como era carinhosamente chamado por todos – foi precursor do fotojornalismo no Brasil, com seis décadas de atuação

A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) lamenta o falecimento do seu colaborador por quase 40 anos, o fotógrafo Wilson Lima. O velório ocorre neste sábado (19), a partir das 18h30, na sala três do Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula em Pelotas. A cerimônia de sepultamento está marcada para às 11h do domingo (20).

Extremamente querido por todos os profissionais da imprensa e pela comunidade acadêmica da UCPel, seu Wilson – como era carinhosamente chamado por todos – foi precursor do fotojornalismo no Brasil, com seis décadas de atuação. Vários dos seus registros fotográficos foram recriados pela imaginação de quem teve o privilégio de ouvir algumas das suas inúmeras e inesquecíveis histórias.

Teve passagens por veículos como a revista Manchete (quando pôde trabalhar em todas as regiões do país e cobrir uma Copa do Mundo), Jornal Última Hora (fundado pelo jornalista Samuel Wainer), Zero Hora, Correio do Povo, Diário Popular, Diário da Manhã, entre outros. Teve trabalhos publicados nas revistas News Weekly e Stern. Mesmo sendo um grande nome do fotojornalismo, nunca perdeu a simplicidade, a generosidade e a paciência para compartilhar todo o seu conhecimento com os profissionais iniciantes no jornalismo.

Nas palavras da sua família, foi da foto impressa feita em estúdio, “Preto, branco e cinza! Ninguém lembra do cinza! – palavras dele”, até uma GoPro e uma Nikon com um par de lentes. Independentemente da câmera, seu olhar apurado e sensível sempre renderam belas imagens. Acompanhou e se adaptou com maestria à evolução da comunicação. Fazia tudo o que tinha que ser feito, da melhor forma possível e sempre de bom humor.

Para o fotógrafo Nauro Júnior, seu Wilson foi um gigante da luz e uma testemunha ocular da história. “Ele fez sua primeira foto aos oito anos de idade. Não era um fotógrafo de Pelotas. Era um fotógrafo do mundo domando as mais rebeldes luzes. Lembro que quando cheguei por essas bandas há quase trinta anos me disseram que eu tinha que conhecê-lo”, relembra Nauro.

Assim como Nauro, muitos profissionais da área se lembrarão dele e de seus registros em pautas no Chile em que flagrou Fidel Castro bebendo uma Coca Cola, do golpe militar responsável por derrubar o presidente Salvador Allende, das fotos da prova do vestido de noiva da Elis Regina. “Ele tinha o fotojornalismo correndo nas veias. Conquistou tudo na vida fotografando. Se despediu da vida no Dia Mundial da Fotografia. Não poderia ser diferente”, finaliza Nauro.

Redação: Rita Wicth – MTB 14101