MEMÓRIA DO TREZE HORAS: HOSPITAL SEM PAREDES

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Fábio Fonseca (neto) e Manoel Marques da Fonseca Júnior

O ‘MEMÓRIA DO TREZE HORAS’ relembra hoje mais uma de suas ações e passagens que marcaram a vida comunitária de Pelotas. Convém relembrar sempre as obras realizadas em favor dos menos favorecidos. O Rádio como elo entre os que faziam a benemerência e aqueles que dela necessitavam. O Treze se propôs a ajudar e a realizar.

Por Clayton Rocha

Manoel Marques da Fonseca Júnior queria um hospital diferente: exclusivamente voltado para a recuperação do aparelho locomotor de pessoas carentes dos Bairros e Vilas de Pelotas. Era um obstinado. Comprou muitas Kombis para o transporte dos pacientes. Providenciou importante área em Anexo da Sociedade Portuguesa de Beneficência. E iniciou marcante série de reuniões de trabalho comigo e com o Dr. José Antônio Allam, o Cheda. Fonseca Júnior tinha pressa. Ele pensava no hospital dia e noite. Quando visitei a Costa Rica, em 1981, representando a UFPEL, encantei-me com a Rede Hospitalar “Sem Paredes”, toda ela custeada pelo Governo Federal.

O nome era um achado. Guardei-o a sete chaves na minha memória. Meses depois, em nova reunião, agora nas Organizações FJ, ouvi dele: ‘- Mas e o nome? Hospital Sem Paredes, respondi. Ergueu-se de sua poltrona e abraçou-me. Perfeito! Mas tenho uma frase a acrescentar: Uma luz no caminho!’ E assim nascia um hospital diferenciado, oficialmente inaugurado na noite de Natal de 1981, com transmissão de TV para a Cidade de Pelotas. Vestido todo de branco, e de sorriso aberto, em estado de graça, lá estava ele, realizando o seu sonho. Muito jovem ainda, e cheio de sonhos, guardei aquele momento como uma espécie de alicerce que cada vez me prendia mais à cidade da minha vida. Envolvido por inteiro com causas locais, pressenti, eu não sairia mais daqui. Pois Fonseca Júnior, o timoneiro sereno que nos contagiava com as suas ideias, Cheda e eu éramos seus discípulos, tinha ainda inúmeras outras causas a abraçar e nos queria por perto.

E assim permanecemos unidos, por décadas, até que dois desenlaces, bem distanciados no tempo um do outro, colocassem um ponto final naquela inesquecível e elevada parceria. Hoje, quase quarenta anos depois do “Sem Paredes”, experiente e ciente das dores alheias e das dores do mundo, e na condição de sobrevivente, volto-me, agradecido e também comovido,  para esses dois louváveis parceiros de um tempo passado, naquele que se tornou o endereço das nossas melhores conquistas.

E o nosso www.pelotas13horas.com.br teve a feliz ideia de relembrar, neste domingo, no ‘MEMÓRIA DO TREZE HORAS’ essa obra fantástica que foi o Hospital Sem Paredes, idealizado por Manoel Marques da Fonseca Júnior.

COMO SURGIU?

O HOSPITAL SEM PAREDES

O Hospital sin Paredes (lit. Hospital sem paredes) foi um projeto iniciado em 1950 no Centro de Saúde de Palmares, Costa Rica, como uma resposta às demandas de comunidades caracterizadas por um nível educacional relativamente baixo e mortalidade infantil alta. O programa começou em uma região da província de Alajuela localizada na região central da Costa Rica. O programa contou com a participação de atores-chave como professores e líderes comunitários da região, fortalecendo os comitês de saúde e treinando centenas de voluntários não médicos para serem incorporados à equipe do Hospital sin Paredes e com um papel importante na capacitação na área da saúde. Esse trabalho foi tão importante que o Presidente Rodrigo Carazo (1978 a 1982), baseou o seu Programa de Promoção Humana no esquema de participação comunal na área de saúde do programa. Entre outras realizações, o programa atingiu uma cobertura com atenção integral à saúde (atenção primaria) de 100% da população rural e de 80% da população urbana.