FALTANDO VINTE DIAS PARA AS PRÉVIAS, PSDB MOVIMENTA A POLÍTICA NACIONAL

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João Dória, Eduardo Leite e Arthur Virgílio movimentam o cenário político nacional, há vinte dias das prévias do PSDB que irá definir o candidato do partido a presidência da república.

O PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira – começa a definir no próximo dia 21 de novembro o seu candidato a presidente da república, em 2022, com a realização do primeiro turno da eleição interna que vai apontar o escolhido. Os governadores de São Paulo, João Dória, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, além do ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, disputam voto por voto, e tentam engrossar a lista de apoios em todas as regiões do país.

Apesar de haver três candidatos, o embate que vem ganhando espaço no Brasil inteiros é protagonizado pelo governador de São Paulo João Dória e pelo do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Nas última semanas eles têm andado pelo país em busca de apoio de nomes importantes da sigla, de governadores, prefeitos, vices, deputados federais e senadores. E a divisão é grande. Os dois lados se dizem otimistas. Se Dória começou a campanha visto como favorito, justamente por governar o estado com maior número de tucanos no país, o reinado do paulista tem sido ameaçado nas últimas semanas: Eduardo Leite ganhou apoios importantes em diversos estados, tem intensificado sua agenda em São Paulo, e a percepção é que a disputa deva ser apertada.

Até o momento, Eduardo Leite leva vantagem em relação à aprovação formal de diretórios estaduais – segundo sua campanha, conta com o respaldo do PSDB do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Minas Gerais, Amapá, Ceará e Alagoas.

Já o paulista traz o apoio oficial dos diretórios do Distrito Federal, Acre, Pará, Tocantins e Rio Grande do Norte, além de São Paulo. O fato de um diretório fechar questão a favor de um dos candidatos não vincula o voto de todos os filiados da região, mas indica que há um suporte de nomes políticos importantes naquela área.

A campanha de Dória o vende como “pai da vacina” por conta da Coronavac, destaca o crescimento econômico de São Paulo e as obras em andamento no estado, além de fazer oposição mais direta ao presidente Jair Bolsonaro e ao ex-presidente Lula.

Eduardo Leite, por sua vez, evita falar o nome de opositores em seus eventos, exalta seu sucesso na restruturação das contas públicas do Rio Grande do Sul, critica “dois extremos” no país e diz que eleição não se vence com ataques.

APOIOS IMPORTANTES

Todo voto importa, mas dois estados-chaves na disputa são São Paulo e Minas Gerais. O primeiro concentra cerca de 20% do total de integrantes do PSDB do país, com cerca de 300 mil filiados, 237 prefeitos e 146 vice-prefeitos, além de oito deputados federais e dois senadores. O PSDB mineiro traz 144 mil filiados, 84 prefeitos, 64 vice-prefeitos, além de cinco deputados federais. Dória possui o respaldo do tucanato paulista, tanto da executiva estadual quanto da maioria dos prefeitos, e sua campanha projeta uma vitória acachapante no estado. Já Leite é endossado pelos mineiros, inclusive pelo deputado federal Aécio Neves, desafeto de Doria – entretanto, o gaúcho evita citar este apoio ou aparecer ao lado do ex-governador publicamente.

Mas em nenhum dos estados a aprovação é unânime. Eduardo Leite tem como um dos principais articuladores de sua campanha o prefeito de Santo André, Paulo Serra, (ouça entrevista aqui no site) que tenta levar tucanos paulistas para o lado dele. O vice-presidente do PSDB-SP, Evandro Losacco, se posicionou a favor de Eduardo em 20 de outubro. Eduardo também já ganhou apoio do diretório municipal de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

Já em Minas, Dória rompeu a barreira de Aécio e garantiu o apoio de um importante nome da política local, o deputado federal Domingos Sávio, também vice-presidente nacional do PSDB. No Rio Grande do Sul, acabou ainda endossado pela ex-governadora Yeda Crusius. O que se percebe é que a disputa está parelha, o que parecia até mesmo improvável há meses atrás quando o assunto era ainda insipiente. Hoje Eduardo Leite – há 20 dias do processo – que poderá ter segundo turno, emparelhou com o governador paulista, pelo que já é um feito inédito em se tratando de um jovem político de fora do eixo Rio – SP – Minas da política nacional.