ARTIGO – UM DIA DE CÃO

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UM DIA DE CÃO

Ivon Carrico*

Você sabe aquele dia que ninguém gostaria de ter? De experimentar? Pois hoje o tivemos com o desenlace de 02 ícones, ou melhor, de 02 monstros sagrados da Música Popular Brasileira.

Não bastassem as notícias ruins, diuturnamente, expressas nas redes sociais e na mídia, hoje fomos surpreendidos por um tsunami avassalador, daqueles que sequer dá tempo da gente se recompor.

Vem a primeira onda que já nos deixou atordoados e – de repente, sem dó de nós – surge a segunda onda.

Sim, metáfora à parte, estou falando dos tristes passamentos da Gal Costa e do Rolando Boldrin.

Cada um no seu pedaço cantou e encantou gerações de brasileiros. Milhões, no Brasil, tiveram a oportunidade de ouvi-los e saber que somos o País da alegria, do sentimento, da generosidade e, sobretudo, da empatia.

A Gal com seu timbre e entonação espetaculares e o Boldrin com a sua pesquisa musical trouxeram para a casa dos brasileiros o melhor do nosso povo, como acima exposto.

Assim, que essas duas mortes nos façam refletir sobre o País que queremos. Que a obra e a fenomenal arte desses 02 grandes artistas nos façam superar a terrível divisão que nos assola e que só traz em seu bojo o ódio e o ressentimento.

O Brasil que queremos é aquele tão bem traduzido nas nossas canções, danças, artes e esportes. Sim, esta tradução nada mais é do que a alegria neles expressada. Como o fizeram a Gal e o Boldrin.

Chega de tristeza. Chega de divisão. Chega de ódio. Chega de ressentimento. Tivemos, hoje, um dia de cão. Mas, não queremos mais 04 anos de escuridão.

*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília: 09/11/2022