ARTIGO – O TREZE

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TREZE – Carlos Francisco Sica Diniz

Não fui fundador do Pelotas Treze Horas.  Na verdade, remonta ao final dos anos noventa e se estende pelos primeiros anos deste século a minha participação mais ativa no programa e evidentemente as minhas melhores lembranças.

Eu diria que tive o privilégio de participar ativamente daqueles que foram, pelo menos para mim, os anos dourados do Treze, nas dependências da sala do Edifício Banlavoura e, depois, nos primeiros tempos do Sétimo Andar do Palácio do Comércio. Ali, nesses lugares mágicos, sob a regência do Clayton, meu amigo de muitos anos, o Treze sacudia a cidade no início de todas as tardes. O que ocorria na nossa Pelotas só acontecia se tivesse passado pelo crivo do Treze, pela sua realidade cotidiana, pelas análises precisas do Freitas, pelos comentários surpreendentes do Vaz ou pelas polêmicas opiniões do José Gomes, as ponderadas análises da Cláudia, a defesa intransigente dos pontos de vista professados pelo Neiff e da parceria do Paulo Gastal Neto, companheiro da inesquecível viagem a Portugal, no projeto Luso Grande do Sul, arquitetado pelo Marcus Cunha lá pelo final dos anos noventa. E dos encontros em Aveiro, no Mercado do Peixe e nas salas da Universidade. Foi lá, em Aveiro, que senti pela primeira vez a intensa magia do rádio, quando ligaram uma pequena caixa nos fios telefônicos da sala que nos destinaram e o programa entrou instantaneamente, com som local, nas ondas da Rádio Universidade.

Era lá, na sala do Banlavoura e logo depois no Sétimo Andar do Palácio do Comércio, que reinava Deogar Soares. Sim, Deogar, meu grande amigo, exemplo de caráter, de desprendimento, jornalista de primeiro time, cronista exemplar. Um desses caras privilegiados, capacitado para tornar interessante qualquer programa, qualquer assunto, fosse o dia que fosse, tivesse ou não tivesse roteiro. Que saudades do Deogar, depois dele e da sua morte inesperada num certo agosto, há quinze anos, o Treze nunca mais seria o mesmo.

Como o rio que corre pela minha aldeia, sempre diferente a cada dia, a cada semana, a cada ano, o Treze vem seguindo seus fadários, rolando suas pedras, para despertar, cristalino, barulhento, altivo, no seu caminho ao mar, que ninguém pode impedir.  E assim, ano a ano, década a década, graças ao esforço do Clayton, que para mim sempre será aquele moço inquebrantável, radialista como hoje não se vê mais no mundo das ondas sonoras, o Treze nunca tirou, nem tirará férias. Vida longa ao Treze, vida longa ao Clayton, esse empalhador de sonhos, seu idealizador, construtor e renovador.

Carlos Francisco Sica Diniz – Advogado e colaborador do Treze Horas