ARTIGO – MANDEI PAGAR

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ARTIGO – MANDEI PAGAR

Henrique Pires*

Quando o juri (presidido pelo gaúcho Dr. Antonio Holfeld) decidiu que o Prêmio daquele ano caberia a Chico Buarque, fez-se alvoroço no Governo de bolso. Secretário da Cultura de então, recebi puxão de orelhas e quase fui expurgado. Sobrevivi depois de explicar a dinâmica internacional que cerca a escolha. Na hora fui informado: sua excelência e os assessores de bolso anunciariam que não seria assinado o diploma.

Desconheciam a premiação em dinheiro! A papelada estava pronta, a conta – administrada pelo Itamarati – já tinha o depósito da cota portuguesa e bastava um comando meu para liberar o montante brasileiro e quitar a fatura. Sai da sala com as orelhas avermelhadas e imediatamente pedi copia da ata à querida Helena Severo, da Biblioteca Nacional.

Com o documento, dei o comando e Chico foi pago. Quinze dias depois dele receber o que lhe era devido, recebi telefonema com ordens de não pagar em hipótese alguma! Lamento -, informei – não havia restrições de qualquer espécie e faz muitos dias que Chico Buarque recebeu seus 100 mil euros!

Ouvi outros gritos, que me fizeram sorrir no silêncio do meu escritório. Chico recebeu primeiro o anuncio da honraria, depois a pecúnia e agora merecidamente o pergaminho. Merecidamente, tudo a seu tempo…

*Jornalista