ARTIGO – BENDITOS HELICÓPTEROS

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Benditos helicópteros

Clayton Rocha*

Dezenas deles, vindos de vários pontos do país, estão sendo decisivos na retirada de pessoas de áreas alagadas e de difícil acesso, além e de telhados, de residências e de galpões.

Essa gratidão do Rio Grande, que já é a memória do coração, multiplica-se ainda através de gestos espontâneos de lideranças e de pessoas do povo que, mesmo à distância, captam esse sentimento de dor e de caos que atinge o povo da antiga Província de “ São Pedro” do Rio Grande.

As gerações jovens estão testemunhando um evento climático simplesmente devastador, cujas consequências já estão marcando fortemente a história de nossas próprias vidas. Nós, gauchos, diante desta calamidade devastadora, registraremos em nossas vidas o antes e o depois de Maio de 2024. E incapazes de mudar os sinais contundentes da Natureza, haveremos de guardar, a partir de agora, as lições naturais que, quando menos se espera, são capazes de mudar drasticamente a história de nossas vidas.

Neste domingo de maio, em Pelotas, a Cidade das Águas, há, felizmente, o alento que se experimenta através da presença dos raios do Sol. Espera-se que sejam mensageiros de esperança neste que já é tempo de preparar a longa reconstrução do Rio Grande.
No momento em que estamos com os olhos postos nos índices de elevação das águas, necessário acreditar – por mais difícil que seja essa atitude mental – na lição que nos convida à prática de um exercício de futurologia.

Esse maio de 2024, carregado de dores e de tragédias, vai passar! E sobreviveremos aos seus horrores, e prosseguiremos na caminhada da vida. Portanto, com uma infinita paciência necessária, vamos tratar de mentalizar a semana seguinte, o mês seguinte, mentalizações estas absolutamente necessárias para enxergarmos – ainda hoje – um tempo de normalização de cenários e de reconstrução de nossas vidas. (CR).

*Jornalista e Coordenador do Pelotas Treze Horas – www.pelotas13horas.com.br – há 46 anos.

Uruguai envia helicóptero para ajudar nos resgates no RS

Em todo o estado foram resgatadas das enchentes quase 18 mil pessoas

O governo do Uruguai disponibilizou um helicóptero e uma equipe para auxiliar nos resgates de pessoas ilhadas pelas chuvas do Rio Grande do Sul (RS). A aeronave da Força Aérea do Uruguai conta com uma equipe de oito pessoas, entre pilotos, copilotos, técnicos e socorristas. A previsão é que o grupo opere nos resgates em Santa Maria (RS) a partir da tarde deste domingo (5).

“O Brasil agradece pela rápida e eficiente resposta do governo do Uruguai nesta #AssistênciaHumanitária crucial para apoiar as comunidades gaúchas afetadas pelas inundações”, informou, em uma rede social, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

A entidade ligada ao Itamaraty acrescentou que a equipe uruguaia está em Bagé (RS), já abastecida, aguardando melhores condições meteorológicas para seguir para Santa Maria. “A ação é fruto de negociações entre Uruguai e Brasil, sob coordenação das chancelarias dos 2 países”, completou.

Em nota, a Força Aérea do Uruguai informou que respondeu “de maneira imediata ao pedido de colaboração internacional realizado pelo Brasil para fazer frente as catastróficas inundações”.

Resgates

O número de resgatados em meio a alagamentos no estado gaúcho chegou à 17,9 mil, de acordo boletim divulgado pela Defesa Civil na noite desse sábado (4). Só na serra gaúcha, 431 pessoas foram resgatadas, sendo 145 por helicóptero.

Uma força tarefa formada por 3,3 mil servidores, entre bombeiros, policiais civis e militares e membros das Forças Armadas, estão atuando no resgates, com equipes do governo federal e de outras nove unidades da federação, como Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro.

De acordo com o governo do Rio Grande do Sul, a frota para resgates é formada por 1,4 mil veículos, entre aeronaves, viaturas e embarcações. De acordo com o governo federal, há 29 helicópteros das Forças Armadas mobilizados para as operações, além de quatro aeronaves.

Já o número de pessoas mortas pelas fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul chegou a 66, de acordo com o último boletim da Defesa Civil divulgado às 9h deste domingo. Outros seis óbitos ainda estão em investigação e outras 155 pessoas estão feridas. Há ainda 101 desaparecidos.

O número de mortes superou a última catástrofe ambiental do estado em setembro de 2023, quando 54 pessoas perderam a vida. As autoridades afirmam que este é o pior desastre climático da história gaúcha.

As chuvas também obrigaram 95,7 mil pessoas a abandonarem suas casas, entre 80,5 mil desalojados e 15,1 mil desabrigados. Ao todo, as chuvas já afetaram 707,1 mil pessoas no estado. Dos 497 municípios gaúchos, 332 foram afetados pelas fortes chuvas, o que representa 66% do total.

O governo gaúcho pede ajuda para a população. Os itens mais necessários são colchões, roupa de cama, roupa de banho, cobertores, água potável, ração animal e cestas básicas, preferencialmente fechadas, para facilitar o transporte. (Agência Brasil)