PELÉ: 80 ANOS

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A camiseta canarinho. Uma lenda. O oito e o zero agora associados,  na síntese  suprema de uma história de vida simplesmente espetacular.

Pelé: 80 Anos – Por Clayton Rocha

Quatro letras. Uma bola. A camiseta canarinho. Uma lenda. O oito e o zero agora associados,  na síntese  suprema de uma história de vida simplesmente espetacular. A humildade dele coloca-se acima de todos os seus feitos! Ele é um sinal vivo da grandeza humana sendo reverenciada em todos os idiomas, em qualquer que seja a geografia de suas andanças pelos cinco Continentes. Ele é Pelé, apenas Pelé, simplesmente Pelé, e isso basta.

Testemunhei bem de perto o significado de sua presença, lá no estádio Jalisco, em Guadalajara, naquela copa do Mundo do México de 1986.

Vi centenas de jornalistas mexicanos e de todo o mundo enfileirados num corredor entre as cadeiras do pavilhão superior do Jalisco, naquele escaldante meio-dia mexicano, querendo uma frase que fosse. E ele ali, o Senhor da Bola de todos os tempos, multiplicando-se em gestos de humildade diante da curiosidade e do incontido desejo de aproximação de tantos.

Testemunhei bem de perto o significado de sua presença, lá no estádio Jalisco, em Guadalajara, naquela copa do Mundo do México de 1986.

Pelé foi a última pessoa a deixar o estádio Jalisco de Guadalajara naquele dia! E Ruy Carlos Ostermann, Armindo Antônio Ranzolin, Zagallo e eu, todos da rádio Gaúcha de Porto Alegre, fomos as testemunhas privilegiadas daquela cena mexicana. Guardo Pelé desse jeito, há bem mais de trinta anos.

Pois Pelé, agora, nesses seus 80 anos, respeitou a si mesmo. E recebeu todas as honras possíveis e imagináveis com naturalidade. Fez somente aquilo que entende e sabe. Mostrou-se à altura de seu título de “Rei do Futebol” ciente de que a raça humana é divina e que sempre esperou dele os sinais de encantamento advindos de seu talento e de sua maestria.

Em seus sinais de simplicidade extrema, diante de papas, reis, presidentes, líderes mundiais, ou de símbolos da ciência, da música, das artes, ou de qualquer outra atividade humana –  os que queriam uma palavra, um autógrafo, uma foto ao seu lado –  ele encontrou o infinitamente grande no infinitamente pequeno, naqueles instantes em que se pode sentir a presença de Deus.

Pelé – nestes seus 80 anos – sabe que a felicidade consiste em saber unir o final com o princípio, e então percebe que uma velhice louvada em todos os Continentes é a recompensa de uma bela vida.

Em seus sinais de simplicidade extrema, diante de papas, reis, presidentes, líderes mundiais, ou de símbolos da ciência, da música, das artes, ou de qualquer outra atividade humana –  os que queriam uma palavra, um autógrafo, uma foto ao seu lado –  ele encontrou o infinitamente grande no infinitamente pequeno, naqueles instantes em que se pode sentir a presença de Deus.  E lá naquelas suas jogadas carregadas de magia Pelé  já sabia, desde a mais tenra idade,  que a virtude é a harmonia!

Pois agora, nestes seus 80 anos,  num século de escassas reservas de lideranças e de símbolos, ele não mais depende de estátuas ou de bustos, de reverências ou de discursos, porque já está, em vida, no mais alto dos altares: lá no coração do povo, lá onde ele ainda não parou de jogar porque simplesmente ficou encantado.

(CR-23.10.2020).