O DESTEMPERO DO CHANCELER ALEMÃO E A COP 30

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Friedrich Merz. Foto: Internet Fabrizio Bensch

O DESTEMPERO DO CHANCELER ALEMÃO E A COP 30

Ivon Carrico*

Causou um grande ‘frisson’ em Brasília as recentes declarações do Friedrich Merz, Chanceler alemão, quando desqualificou a cidade de Belém, para sediar um evento da magnitude da COP 30. E, ontem, mais uma vez, o alemão voltou à carga…E, hoje, a sede da COP 30 até pegou fogo…

Por sua vez, também, não foi menos impactante – em alguns gabinetes da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos 03 Poderes, em Brasília – o escândalo do Banco Master. O pânico instalado foi visível e risível.

Eis que, pasmem, destacadas figuras – no âmbito dos 03 Poderes – emudeceram. Figuras estas, bastante conhecidas – exatamente – pela verborragia no trato da coisa pública. E, por que será dessa mudez? Por que perderam essa capacidade de falar?

E, qual – ainda – a conexão entre esses 02 distintos fatos? Bem, primeiramente, tenho que o destempero do Chanceler foi um despropósito. Uma grosseria e, ao mesmo tempo, uma caracterizada estupidez, porque existem linguagem e canais diplomáticos adequados para expressar um descontentamento.

Segundo, ao reverberar a possível inadequação da capital paraense, Friedrich Merz conseguiu a proeza de evidenciar em terras tupiniquins (desculpem a figura de linguagem) a má gestão da coisa pública nacional. Foi outro 7×1!!!

Mas, insisto: e, qual a conexão entre esses 02 fatos? Simples! A captura do Estado brasileiro por Corporações que atuam dentro e fora dos seus limites para a obtenção de privilégios para os seus representados. Ou seja, um ‘Estado’ dentro do Estado instituído.

Por isso, Belém e, por extensão, o Brasil e os brasileiros sofrem com as consequências da atuação dessas Corporações, que privilegiam poucos, em detrimento de muitos. A sincronia existente entre os diferentes níveis e esferas do Poder com essas organizações é tal que fica difícil estabelecer qualquer superfície de separação.

Dada a permissividade existente e, obviamente, a impunidade decorrente, difícil acreditar numa verdadeira equidade e justiça social. Em um verdadeiro Estado Democrático de Direito. A confraria existente entre os Poderes e, ainda, com essas Corporações impede a adoção de qualquer solução, minimamente, plausível.

*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília – 21/11/2025