O RIO GRANDE QUE CRESCE APESAR DO ESTADO

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O Rio Grande que cresce apesar do Estado

Giuseppe Riesgo*

Os novos números do Porto de Rio Grande dizem tudo. Crescimento de 6,4% no semestre. Quase toda a movimentação dos portos públicos do Estado passa por lá. Não é sorte. É trabalho. E esse trabalho não nasce em gabinete. Nasce no campo, na indústria, no caminhão, na cooperativa. Nasce em quem acorda cedo e produz sem pedir nada além de espaço pra trabalhar. O salto das exportações soja, farelo, arroz, carnes, setor florestal mostra que o Rio Grande gera riqueza mesmo com o ambiente público atrapalhando.

O porto funciona porque quem produz funciona. Simples. Existe um ecossistema inteiro segurando a economia: agro, indústria, logística, comércio. E esse ecossistema está cansado de carregar um Estado lento, caro e inseguro. Os números são bons, mas poderiam ser muito melhores se o ambiente regulatório não travasse tudo. O recado do setor produtivo é claro: competitividade. As rotas estão mudando. A navegação de longo curso cresce. O contêiner ganha espaço. Mas nada disso se sustenta sem infraestrutura. É preciso confiar no investimento privado, liberar ampliações, destravar licenças. Liberdade, não tutela.

Temos vocação logística. Temos gente competente. Temos uma cadeia produtiva forte. Falta previsibilidade. Falta segurança jurídica. Falta ambiente pra o empreendedor liderar como sempre liderou. O Porto de Rio Grande mostra o caminho. Quem faz o Estado avançar é quem produz. A pergunta que fica é simples: vamos transformar esse bom momento em algo maior ou seguir comemorando o “quase”?

O futuro depende de uma decisão básica: tirar o Estado da frente e deixar quem trabalha fazer o que sabe. O porto já provou isso. Resta o Rio Grande acompanhar.

* Ex-deputado estadual pelo NOVO e atual Secretário de Parcerias de Porto Alegre