ARTIGO – IMPORTANTE REFLETIR: A CRISE ECOLÓGICA NÃO É VIRTUAL, É REAL!

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IMPORTANTE REFLETIR: A CRISE ECOLÓGICA NÃO É VIRTUAL, É REAL!

Neiff Satte Alam*

Abrimos as páginas dos jornais e revistas de qualquer parte do planeta, ouvimos rádio ou assistimos televisão, em qualquer idioma, e nos deparamos com o mesmo tema: o monumental desequilíbrio ecológico e suas consequências se não tomarmos imediatamente medidas de controle aos inconsequentes desmandos ambientais em nome do crescimento e que os defensores de um controle rigoroso destes desmandos são denominados de “ambientalistas”, “ecologistas” ou outros termos quaisquer, mas no sentido pejorativo, como se suas ações prejudicassem a evolução humano no âmbito da economia ou da sociologia.

É a ganância de uns e a ignorância de outros, em uma simbiose entre o interesse econômico e a falta de conhecimento das vítimas que nos leva a este quadro de quase tragédia ambiental, pois, segundo Fritjof Capra: “…sabemos hoje que, em sua maior parte, os organismos não são apenas membros de comunidades ecológicas, mas também são, eles mesmos, complexos ecossistemas contendo uma multidão de organismos menores, dotados de uma considerável autonomia, e que, não obstante, estão harmoniosamente integrados no funcionamento do todo. Portanto há três tipos de sistemas vivos – organismos, partes de organismos e comunidades de organismos – sendo todos eles totalidades integradas cujas propriedades essenciais surgem das interações e da interdependência de suas partes”.

Este tema trata a questão ética dentro das relações do homem com o universo onde está inserido, sendo ele, o homem, parte indissociável deste sistema integrado e integrador, que chamamos natureza.

Ver-se por dentro deste sistema e não por cima é, com certeza, a maior dificuldade, pois que pretendemos reinar onde somos iguais onde as diferenças trazem o equilíbrio e a dinâmica que movimenta todo o sistema ecológico, “a percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos…”(Capra). Com esta observação, ampliamos o sentido de “ecológico” para um âmbito mais abrangente onde há uma interação dinâmica entre todos os sistemas intermediários.

Desta forma, passamos a ter maior responsabilidade sobre nossos atos na relação com o meio, principalmente sabendo que todas nossas ações interferem e/ou sofrem interferência do ecossistema, onde nos inserimos.

A questão de valores é fundamental para a uma definição central de ecologia, pois, hoje, entendemos que os novos modelos baseiam-se em uma ecologia centralizada na terra (ecocêntrica) e não mais no homem (antropocêntrica)e muito menos na conveniência de uns poucos (egocêntrica). Daí ser necessário e urgente introduzir padrões de comportamento e valores que tenham como objetivo a manutenção do equilíbrio ecológico, sem que a ciência contribua para a desarmonia e desequilíbrio, o que ocasionaria uma ruptura na dinâmica do sistema – daí a necessidade de darmos andamento a uma BIOÉTICA na ciência.

É nestes momentos onde se materializam as catástrofes ambientais que devemos, considerando esta realidade, ampliarmos uma reflexão em três tempos: antes da ação, durante a ação e após a ação. Esta prática reflexiva é fundamental para que estes eventos tenham, no futuro, menos danos e uma mais rápida volta à normalidade.

Não é o momento de apontarmos culpados, mas reunirmos esforços para uma tarefa de recuperação, que não estava prevista sobre um evento de grandes magnitudes.

É óbvio que se some, as causas desta tragédia, nossa incompreensão e despreparo, mas, com certeza uma série de eventos em nível planetário, que fogem totalmente de nosso controle, muitas vezes periódicos, são, na maioria das vezes incontroláveis e que mais contribuíram.

Analisando os pontos de fragilidade urbana e rural; entendendo o necessário respeito que se deva ter a um equilíbrio dinâmico de nosso ecossistema; colocando em perspectiva o que qualquer interferência ambiental possa ter quando ampliada no espaço e no tempo – efeito borboleta; principalmente termos a perfeita compreensão de que somos parte do sistema ecológico, é que enfrentaremos o futuro com mais tranquilidade. Damos a isto o nome de sustentabilidade ambiental/social/econômica.

*Biólogo, Professor de Biologia e Especialista em Informática na Educação. Participa do Treze Horas desde a sua criação, em 1978.