ARTIGO – MEMÓRIA INVEJÁVEL

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MEMÓRIA INVEJÁVEL
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Por Clayton Rocha
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Mas Pelotas não se interessa mais por isso! Abandonou-se.
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Em duas postagens recentes no Facebook estamos mostrando dois presidentes da República, por sinal consagrados, visitando o escultor pelotense Antônio Caringi em seu atelier do Rio de Janeiro. Getúlio e Juscelino eram amigos pessoais do “escultor do Rio Grande”, como era conhecido por todos. No Rio ou na Cidade de Pelotas daqueles tempos vultos consagrados discutiam grandes questões de interesse geral, e tinham poder de decisão nas esferas estadual e nacional.
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Dom Antônio reunia-se frequentemente com o prefeito Mário David Meneguetti, Juscelino os visitava e esticava a conversa, Jânio Quadros procurava o Bispo de Pelotas, Ildo Meneguetti Governador procurava o seu primo-irmão aqui na cidade, Carlos Lacerda visitava Mozart Víctor Russomano e Silvino Lopes Neto, Arthur de Souza Costa comandava com mão de ferro o ministério da Fazenda, Luís Simões Lopes era figura chave no Palácio do Catete, Oswaldo Aranha tinha parentes em Pelotas, Mendonça Lima era o ministro de Viação e Obras Públicas, o pelotense Gilberto Marinho era o presidente do Senado Federal, e a “Princesa do Sul” brilhava no cenário nacional. Pois tudo isso jamais escapou ao levantamento minucioso da Memória Treze Horas durante os últimos quarenta e dois anos.
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Hoje, no entanto, já está passando da hora de colocar as cartas na mesa: vozes, fotos e vídeos que guardam os tempos de ouro de Pelotas estão dependendo apenas de duas pessoas, mais os custos mensais de sustentação. E isso não é correto! E isso é sinal de desprezo! Senão vejamos: os grandes líderes de pelotas durante os últimos quarenta e dois anos fizeram vistas grossas a esse patrimônio histórico e desrespeitaram a si mesmos, na medida em que são os grandes beneficiados de toda essa memória, eles e todas as demais lideranças representativas dos mais variados campos de atividade na comunidade.
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Nos últimos tempos – por sinal bem difíceis – empresários amigos que se dizem “defensores ferrenhos” do Debate Treze Horas elogiaram o radiojornalismo feito no “Salão Amarelo” do Palácio do Comércio mas mandaram as suas verbas para as rádios de Porto Alegre. Cumprimentaram o Treze Horas pelos seus 42 anos de vida mas demonstraram um profundo amor pelas emissoras da capital. Eu aproveito o ensejo para perguntar aos mesmos: – Quando os temas locais bem delicados dependem de um microfone caseiro, quem é que abre esses microfones, e sem reservas, aos empresários e aos políticos? Se Porto Alegre é capaz de oferecer não mais do que 5 minutos de microfone a eles, quantos minutos são oferecidos pelo radiojornalismo do Treze Horas?
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Convenhamos: – todos esses políticos e empresários têm merecido – e sempre – direito até mesmo a participar e a debater durante um programa inteiro! Pois peço a todos eles que coloquem a mão na consciência, caso contrário não haverá mais razão para bancar um “Projeto Memória” do próprio bolso ou mesmo para debater os grandes temas de Pelotas e da Zona Sul se a prioridade – acima de tudo e de todos – é Porto Alegre.
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Que se entreguem, portanto, e de vez, à cordialidade da capital do Estado. Compreenderemos – sem lamúrias – a nossa insignificância. A escolha, caro leitor, por parte dos poderosos de plantão, será sempre uma questão de preferência! E se Pelotas se apequenou de vez por ser incapaz de expressar seus sinais necessários de indignação, que se atire logo, e de joelhos, diante dos meios de Comunicação Social da Capital do Estado.
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E quanto aos incomodados e aos seus desabafos, em seus frustrados empenhos para salvar a radiofonia local, vale recuperar o conteúdo daquele recado curto e direto: – Que se retirem de cena! São desnecessários. As forças empresariais e políticas que tem a Capital do Estado por paixão suprema não precisam mais perder tempo com Pelotas. (CR).