LOURENÇO CAZARRÉ LANÇA CONTOS PELOTENSES

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Foi lançado agora em julho pela editora Insular, de Florianópolis, o mais novo livro do escritor Lourenço Cazarré: Contos pelotenses. É uma coletânea de 16 histórias curtas retiradas dos seis livros de contos que o autor já publicou, desde o começo de sua carreira nos anos 1980. A obra reúne apenas narrativas que tem a Princesa do Sul – explicitamente ou não – como cenário. A ilustração da capa é do artista Fernando Duval, pelotense radicado no Rio de Janeiro.

De acordo com o escritor André Seffrin, que assina a apresentação, trata-se de uma publicação que, embora tenha histórias amargas, não dispensa o humor: “Os contos pelotenses são histórias de solidão, melancolia, medo, morte; de perseguições e cercos, de encontros e desencontros, de desesperos e crimes de paixão, crimes bárbaros, nas quais o suspense campeia sob o teto de uma áspera poesia. A linguagem febril e o suspense acabam por potencializar, em cada conto, o sentido trágico da vida, só aliviado aqui e ali por um humor que em geral se insinua por frestas de foco narrativo”.

André Seffrin destaca o conto Enfeitiçados todos nós, em que um narrador descreve o clima da cidade – suas personagens e pequenos dramas – em um tom hiperbólico com visões algo fantásticas, lúdicas, evocativas”. E cita trecho daquela narrativa: “O calor é certeza de que o inferno é aqui mesmo, agora, mas é também a certeza de que esta garrafa de cerveja, coberta de pequenos diamantes de suor, é o único anjo que Deus enviou para nos resgatar deste vale de lágrimas”.

Ressalta ainda que Cazarré costuma entregar suas histórias a narradores diversos, entre os quais se destaca “um demiurgo contador de causos (o Poeta), que surge em todas as histórias de Noturnos do amor e da morte (1989).

Escritor e jornalista Lourenço Cazarré. Foto: Arquivo pessoal.

A trajetória de Lourenço Cazarré, na área dos contos, começou em 1980, quando ele recebeu seu primeiro prêmio literário com uma composição sobre uma enchente que toma a cidade de Pelotas em 1946. Este conto, de certa forma, antecipa a catástrofe que ocorreu no ano passado.

Acrescenta o apresentador que Lourenço Cazarré “confronta o narrador (e seus duplos) com as condições extremas de corrosão e miséria regidas pela decadência (“O cavaleiro”, “A arte excêntrica dos goleiros”, “O homem que amava os clássicos russos”) ou por injustiças ditadas pelos desconcertos do mundo (“No incêndio da tarde”, “Meia encarnada dura de sangue”). Confrontos cruéis de amor e desamor (“Ilhados”, “Menino tranquilo nos braços do pai”).

Lourenço Cazarré, nascido em 1953 em Pelotas, é jornalista formado pela Universidade Católica (1975) e reside em Brasília. É autor de mais de 45 livros entre coletâneas de contos (Enfeitiçados todos nós, A arte excêntrica dos goleiros, Exercícios espirituais para insônia e incerteza e Noturnos do amor e da morte), romances (A longa migração do temível tubarão branco, Kzar Alexander, o louco de Pelotas e O soldado amarelo) e novelas juvenis (A guerra do lanche, Nadando contra a morte, A fabulosa morte do professor de Português e Amor e guerra em Canudos). Venceu mais de vinte concursos literários de âmbito nacional.

O livro Contos pelotenses está à venda na Livraria Vanguarda e na Editora.