
DEPOIMENTO SOBRE O JOSÉ GOMES
Oscar José Magalhães*
Conheci o José Gomes, o Zé Gordo, desde a minha infância. Meus pais eram amigos do Edgard e da Cláudia Behrensdorf, irmã mais velha do José. Quando passamos a morar no Edifício Des Essarts, nos anos sessenta, o José era presença frequente no prédio, uma vez que nele residiam os seus sogros, pais da Márcia, o Dr. Oscar e Dona Maria Helena Rheingantz. O José e a Márcia eram então um jovem casal, possivelmente recém-casados, com quem eu cruzava frequentemente no Des Essarts.
Posteriormente, meus encontros com o José passaram a acontecer tanto na Faculdade de Direito, em que foi meu professor de Direito Penal (muito depois, eu brincava dizendo que devia a ele tudo que sabia de Direito Penal – que era quase nada), como no Clube Campestre, sendo ele um inveterado golfista e tendo sido eu, por um tempo, um promissor praticante daquele esporte, que nunca cumpriu tal promessa. Mas seria um bom tempo depois que me tornaria amigo do José. Isso aconteceu a partir de nossa convivência no grupo de amigos que nos reuníamos no Café Aquário, que passei a frequentar a partir de meados dos anos 70, quando, recém-formado, comecei a trabalhar no escritório de advocacia do Angenor Porto Gomes, que me apresentou aos seus amigos, que compunham o referido grupo.
Nesta época, porém, o José não participava do nosso grupo do Café, embora tivesse relações de amizade com a maior parte dos seus integrantes, muitos dos quais eram também seus colegas, como professores na Faculdade de Direito ou como praticantes da advocacia. Pouco a pouco, porém, possivelmente lá pelos anos 90, o José começou a frequentar, cada vez mais assiduamente, o grupo. Até se tornar um integrante efetivo e finalmente o nosso decano. Agora, por ocasião de seu falecimento, muitos dos seus amigos têm elencado, com justiça, suas qualidades e as peculiaridades de sua rica personalidade. Endosso tais manifestações, mas considero desnecessário reiterá-las aqui. Prefiro dar um depoimento mais marcadamente pessoal.
Apesar de ter, como relatei, conhecido o José praticamente toda a minha vida, só passei a conhecê-lo realmente em nosso convívio no grupo do Café Aquário. E o José que então conheci se revelou, para mim, uma pessoa surpreendentemente afetiva. Em meio às suas manifestações, frequentemente irônicas ou mordazes, em nossas discussões no Aquário, sempre eu entrevia um José afetuoso, que se revelava, por exemplo, quando, nos debates mais acirrados, me chamava de “Alemãozinho”, com uma pretensa intenção depreciativa, que escondia mal sua afetuosa amizade, dada a por nós consabida referência ao meu tio Luiz Carlos Magalhães, que havia sido seu querido amigo de juventude e que ele tratava pelo apelido de Alemão. Vou sentir falta do Zé Gordo.
*Professor e ex-diretor da Faculdade de Direito da UFPel











