TREZE NO MUNDO DA COPA – RAIO-X DA PRIMEIRA FASE

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Minha opinião: Lionel Messi, da Argentina, foi o grande nome desta primeira fase. Supera Kylian Mbappé, da França, por ser mais velho que o francês e pelo profissionalismo demonstrado que é incontestável. Foto: Internet.

RAIO-X DA PRIMEIRA FASE

Paulo Gastal Neto*

Acompanhei a primeira fase da Copa do Mundo em solo norte-americano. Tentando levar um pouco do ambiente dos Estados Unidos aos nossos ouvintes do Treze Horas, porém longe de ser uma cobertura minuciosa de fatos e acontecimentos que são proporcionadas pelas grandes redes que fazem esse trabalho. Mas mesmo assim a ida ao palco do mundial gerou alguns artigos e comentários tanto no rádio quanto no Instagram e em nosso canal no Youtube e que continuarão ocorrendo, mas desta feita já aqui no Brasil.

A primeira fase da Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim, deixando um rastro de debates intensos que ultrapassam em muito as quatro linhas. Por exemplo, deu para perceber que o balanço inicial nos entrega um futebol de extremos, onde a paixão popular esbarra na frieza milimétrica da tecnologia e em assimetrias nos bastidores da FIFA com o preciosismo do VAR.

Dentro de campo, o Brasil garantiu sua classificação na liderança do Grupo C. No entanto, a perspectiva de título exige cautela. O futebol apresentado pela Seleção de Carlo Ancelotti ainda carece da solidez que os mata-matas exigem. Olhando para o horizonte, o cruzamento coloca o Japão (jogo nesta segunda-feira, 29.06, às 14h) no nosso caminho na fase de 16 avos de final, com uma possível sequência diante do vencedor de Noruega e Costa Marfim. Não há espaço para o “jeitinho” ou para a improvisação que marcou o debate sobre a convocação de Neymar. Enquanto o camisa 10 tenta se recondicionar fisicamente nas academias, potências como a Argentina de Messi (avassalador com 5 gols) e a França de Mbappé demonstram o abismo que separa o planejamento de ponta da nossa crônica instabilidade tática.

Se o Brasil oscila, outras camisas tradicionais decepcionaram profundamente. É o caso do Uruguai, que protagonizou uma campanha medíocre, sendo eliminado precocemente em um grupo onde a Espanha sobrou. A Celeste Olímpica parece ter estagnado no tempo, carecendo de renovação e de volume de jogo para competir em alto nível no cenário atual.

Fora das quatro linhas, a Copa expôs feridas antigas. As fortes reclamações da delegação do Irã ecoaram fortemente nos bastidores. Os iranianos protestaram de forma veemente contra o tratamento diferenciado dispensado pela FIFA e pelas equipes de arbitragem às seleções de menor expressão política e econômica no cenário internacional, apontando uma clara falta de isonomia que favorece as potências tradicionais.

Esse desequilíbrio ganha contornos dramáticos com a atuação do VAR. A tecnologia, que nasceu com a promessa de corrigir erros absurdos, mergulhou em uma “preciosidade de precisão” que engessa o espetáculo. Impedimentos determinados pela ponta da chuteira ou pelo traço milimétrico de um ombro desvirtuam o espírito do jogo, irritando torcedores e atletas. O paradoxo é gritante: enquanto o VAR perde minutos preciosos caçando minucias em lances interpretativos, erros crassos de árbitros de campo continuam passando batidos, consolidando a sensação de um critério duplo na condução das partidas. As paradas para hidratação são recebidas com sonoras vaias pelo público a cada minuto 22 de cada tempo de jogo. Uma nova determinação pouco explicada em jogos com temperaturas amenas, prudente em locais com temperaturas elevadas. Diante da ideia de que é preservar os atletas dificilmente será contestada.

A partir de agora, a Copa do Mundo muda de rota. O gigantismo da fase de grupos dá lugar à tensão dramática dos jogos eliminatórios: perdeu, volta para casa.

Para o Brasil, o duelo contra os japoneses será o verdadeiro teste de maturidade desta equipe. O favoritismo histórico existe, mas o futebol pune a soberba. Se quiser avançar e sonhar alto contra adversários que estão voando, a Seleção precisará de mais bola, menos burocracia e, acima de tudo, entender que a Copa do Mundo real começa agora. O Treze Horas segue atento, não diretamente do front americano, mas narrando os passos de uma caminhada que não aceita erros.

*Radialista e editor do www.pelotas13horas.com.br