RIO GRANDE E PELOTAS CONTINUAM COM ACELERAÇÕES E TENDÊNCIAS DE CRESCIMENTO DE CASOS DE COVID-19

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Boletim elaborado semanalmente por professores da Furg e IFRS informa sobre a evolução da epidemia nos dois municípios.

Boletim elaborado semanalmente por professores da Furg e IFRS informa sobre a evolução da epidemia nos dois municípios

Professores da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e do Instituto Federal do Rio Grande (IFRS) divulgaram mais um informativo sobre a evolução da epidemia por Covid-19, especificamente para as cidades de Pelotas e Rio Grande, incluindo previsões para o crescimento do número de casos. Segundo os professores responsáveis (Sebastião Gomes e Igor Monteiro, do Instituto de Matemática, Estatística e Física – Imef da Furg, Carlos Rocha, do IFRS), com relação à curva do número acumulado de casos, Rio Grande e Pelotas apresentavam em 07/01 acelerações positivas e com tendências de crescimento.

Os professores informam que a realização de simulações para uma determinada cidade envolve os seguintes processos: os dados reais da epidemia na cidade passam por uma fase inicial de processamento; posteriormente estes dados processados são inseridos no sistema de identificação paramétrica; uma vez os parâmetros do modelo identificados, estes são atualizados no modelo e, posteriormente, realizam-se simulações e análises de cenários. Nas figuras a seguir são mostrados resultados para Pelotas e Rio Grande, com os dados reais destas cidades obtidos no dia 07/01/2021.

De acordo com os gráficos, os pontos em vermelho correspondem ao número acumulado de casos reais, enquanto a curva em azul é a simulação com o modelo. A continuação da curva em azul para além dos pontos em vermelho corresponde à previsão para os próximos 20 dias. O modelo prevê que Pelotas passará de 16884 casos confirmados em 07/01/2021 para 20567 em 27/01/2021, enquanto Rio Grande passará de 8629 casos confirmados em 07/01/2021 para 10867 em 27/01/2021. Estas previsões poderão se confirmar se não houver mudanças nas situações atuais dos municípios, principalmente correlatas ao isolamento social. O parâmetro mais significativo de uma epidemia é o Índice de Reprodução Basal (R0). No dia 07/01 Pelotas estava com R0=1,07 (significa que 100 novos infectados infectam 107 outros indivíduos, ou seja, a contaminação estava com uma aceleração positiva). No dia 07/01 Rio Grande estava com R0=1,11 (significa que 100 novos infectados infectam 111 outros indivíduos, ou seja, a contaminação estava também com uma aceleração positiva).

O ideal é que o índice R0 esteja inferior a 1, provocando assim desaceleração no crescimento do número de casos e, para que isso ocorra, são necessárias medidas de prevenção, sendo a principal delas a ampliação do isolamento social. O distanciamento social em lugares públicos, o uso obrigatório de máscaras e atitudes frequentes de higienização das mãos também contribuem para a diminuição do índice R0.

Um aplicativo desenvolvido pelos pesquisadores das duas instituições está disponível gratuitamente para download, o Simcovid (atualizado recentemente e está na versão 2.1), com o qual o usuário não precisa ser especialista em matemática ou computação para realizar suas próprias simulações e análises de cenários. Este aplicativo pode ser baixado aqui.

Os professores informam ainda que os boletins sobre as situações de Pelotas e Rio Grande são atualizados semanalmente e disponibilizados no espaço Covid-19, da página do Imef. Neste espaço encontram-se um livro e dois artigos científicos já publicados sobre a modelagem matemática que dá origem aos resultados apresentados nos referidos aplicativo e boletins informativos. O professor Sebastião também ressalta o trabalho dos alunos da Furg: Marina Zanotta Rocha (Engenharia de Computação), Ana Luíza Arcanjo (Matemática Aplicada) e Lucas Rosa (Engenharia Mecânica). Estes alunos auxiliam na obtenção e organização dos dados reais utilizados no Simcovid 2.1.