
JOSÉ GOMES
Alexandre Gastal*
O Zé foi meu professor na Faculdade de Direito, na década de 80, mas lecionava uma matéria que não era da minha predileção e, àquela época, não chegamos a desenvolver uma relação mais próxima. Era só um professor, amigo do meu pai.
O que nos aproximou foi a parceria na turma do Aquário, no final dos anos 90. Quase todos os dias, a alguns cafés sorvidos em meio a intermináveis debates, algumas provocações e muitas risadas, seguia-se um almoço, provavelmente no Bavária. Para lá íamos eu, o Zé, o Fábio, o Matteo e, eventualmente, mais um ou outro amigo que resolvesse nos acompanhar. De quando em quando, íamos todos almoçar no Campestre, que era, pra ele, como estar em casa.
Nesse convívio diário, construímos uma amizade muito estreita.
Por conta disso, no ano 2000, fizemos juntos – eu, ele e o Jairo – uma ótima viagem a Alemanha, Polônia e Áustria. Eu vivia um tempo difícil, há poucos meses terminara meu primeiro casamento, e aquela viagem, na companhia de ambos os amigos, me foi muito revigorante e apaziguadora. Nunca esqueci do bem que me fizeram.
O Zé era uma pessoa de espírito jovem, de comunicação fácil com gente de todas as idades. Mais de 30 anos havia de diferença entre a idade dele e a nossa, mas as únicas vezes em que nos lembrávamos disso era quando o Fábio insistia em chamá-lo de senhor.
Dono de uma conversa inteligente, em que se encontravam o afeto, a ironia e o bom humor, o Zé, ao contrário do que a muitos talvez parecesse, era uma pessoa pouco dogmática, cuja complexidade é que o fazia tão interessante. Era um velho muito jovem, um conservador de vanguarda, um ranzinza bem humorado.
E um inigualável frasista e contador de histórias. Histórias dele e de seus amigos ou conhecidos. Histórias verdadeiras ou inventadas, pouco importava. Frases e histórias maravilhosas, que seguirão nas nossas memórias e nas nossas conversas.
Sinceramente, acho que, mais do que o fato de ele já contar com 91 anos e estar há algum tempo bem adoentado, foi essa sensação de que o Zé seguirá vivo na gente que nos trouxe um conforto maior na hora da despedida.
Obrigado, Zé!
*Desembargador do TJ-RS











