EMPRESA QUE COMPROU A CEEE-D ASSUME QUINTA-FEIRA, 08.07

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Executivos da Equatorial já atuam no Estado desde o ano passado. Antes mesmo da privatização, eles circulavam pelos corredores da CEEE conhecendo a companhia. Essa presença foi ampliada após o leilão de 31 de março, com ocupação de salas na sede da estatal, em Porto Alegre.  

A Equatorial Energia – www.equatorialenergia.com.br –  assume o controle da CEEE-D na próxima quinta-feira, 08.07, após três meses após arrematar a companhia estatal gaúcha. A assinatura do contrato ocorrerá em solenidade no Palácio Piratini.

A Equatorial deverá, na oportunidade, apresentar os novos diretores da empresa e ainda apresentar um plano de ação para os cem primeiros dias, que devem contar com um programa de melhoria de performance para retirar da empresa o status de pior distribuidora de energia do Brasil, 29ª colocada num ranking de 29 companhias do setor.  Também está previsto um programa de demissões voluntárias (PDV) para os empregados da CEEE-D e não está descartada a desativação de agências no Interior.

Executivos da Equatorial já atuam no Estado desde o ano passado. Antes mesmo da privatização, eles circulavam pelos corredores da CEEE conhecendo a companhia. Essa presença foi ampliada após o leilão de 31 de março, com ocupação de salas na sede da estatal, em Porto Alegre.

A Equatorial Energia tornou-se conhecida no mercado do setor por se tornar uma empresa que busca adquirir companhias deficitárias e endividadas. Ela controla seis distribuidoras estaduais, sendo  duas delas privatizadas pelo valor simbólico de R$ 1 (Pará e Maranhão) e outras três por R$ 50 mil (Piauí, Alagoas e Amapá). No Rio Grande do Sul, o lance foi de R$ 100 mil, acrescido da transferência de um passivo de R$ 4,2 bilhões da CEEE.   Adepta dos choques de gestão nas novas subsidiárias, a Equatorial terá como um dos objetivos a redução de gastos com pessoal, terceirizadas e material. Esses itens compõem um indicador chamado PMSO, usado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nos reajustes de tarifa.

Quanto maior o PMSO, maior a ineficiência da empresa e portanto menor o índice de reajuste autorizado pela Aneel. Atualmente, o PMSO da CEEE é de R$ 392 anuais por consumidor, o dobro da média nas outras distribuidoras do grupo (R$ 190 no Maranhão, R$ 191 em Alagoas no Pará, e R$ 185 no Piauí). Para alcançar o mesmo patamar, a redução de custos deve começar justamente pelo PDV. O expediente foi empregado nas duas últimas distribuidoras compradas pela Equatorial antes da CEEE, em Alagoas e no Piauí. Ao contrário do que foi divulgado (Fake News) a Equatorial não foi a empresa responsável pelo apagão do AMAPÁ,  já que ela foi a única participante do leilão de privatização da Companhia de Eletricidade do Amapá – CEA que somente ocorreu no último dia 25 de junho e o apagão foi em novembro de 2020.

Na última terça-feira, 29.06, a Associação de Engenheiros da CEEE ingressou com ação judicial pedindo a suspensão do repasse dos ativos à Equatorial enquanto não houver informações sobre o pagamento de uma dívida previdenciária estimada pela entidade em R$ 2,3 bilhões. Antes de analisar o pedido de liminar, o juiz Fernando Diniz, da 4ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, pediu manifestação do governo do Estado.  Para os consumidores, a medida imediata mais significativa deverá ser a troca de nome, com a o fim da marca CEEE nas contas de luz.

Nos quatro Estados em que já atua, o nome original das distribuidoras foi substituído pela marca da holding (Equatorial Pará, Equatorial Maranhão, Equatorial Alagoas e Equatorial Piauí). Assim, é provável que os boletos em breve sejam emitidos em nome de Equatorial Rio Grande do Sul.

EQUATORIAL ENERGIA

  • Fundada em 1999 para participar dos primeiros leilões de privatização do setor elétrico, a Equatorial atende hoje 22% do território nacional, com distribuidoras de energia em seis Estados: Rio Grande do Sul, Alagoas, Maranhão, Pará, Piauí e Amapá
  • Somente no primeiro trimestre de 2021, foram investidos R$ 631 milhões, sendo R$ 404 milhões em distribuição de energia
  • No mesmo período, a venda de energia cresceu 4% e o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 1,1 bilhão
  • O grupo mantém uma dívida bruta de R$ 18 bilhões e dispõe de um caixa de R$ 6,9 bilhões, valor superior as amortizações previstas para os próximos dois anos
  • A holding atua ainda na geração e transmissão de energia, em serviços e telecomunicações