ARTIGO – UMA CONVERSA ENTRE A VILA OLIMPO E A VILA CERRITO!

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UMA CONVERSA ENTRE A VILA OLIMPO E A VILA CERRITO!
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Por Clayton Rocha
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Neste apagar das luzes de 2020.
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Vida que segue, estimado amigo Neiff Olavo Gomes Satte Allam. Depois do hospital, eu te recomendo: Põe os teus olhos na paisagem de um campo de futebol, que pode ser o do Ferroviário de Pedro Osório: e bola ao centro, e zero a zero no placar.
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Longe vai, bom amigo, aquele 6 de novembro de 1978: Ali começava a grande parceria do 13 Horas, inimaginável, àquela altura, quanto ao seu tempo de duração, mas sempre impecável quanto ao conteúdo.
Testemunhamos, juntos, aquela despedida do Luiz Carlos Corrêa da Silva através da surpreendente leitura de uma carta, ao vivo, em pleno debate. Depois aquela nossa derradeira conversa lá na 7 de Setembro com um Ary dos Santos, um Ary profundamente sofrido diante do peso de uma tragédia.
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E permaneceríamos testemunhando na sequência da vida despedidas outras, inúmeras, que nos atingiram em cheio. Foram tantas, surpreendentes até, que me fizeram respeitar um gesto do Luiz Carlos Vaz: o de rasgar diante de mim aquela lista de nomes que eu carregava comigo, além de um conselho, o dele, elevado e necessário ao momento. Clayton, disse-me na ocasião: deixa eles em paz!
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Em relação ao Fernando Lessa Freitas e ao Deogar Soares, te confesso, eu aprendi a conviver com a lembrança sadia de suas falas, textos, indignações, ironias, brilhos pessoais, lições de vida e rabujices, e sem nenhum tipo de desgaste emocional de minha parte, mas com leveza pessoal e – agora – até mesmo com um surpreendente bom humor.
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Pois aproveito esta hora intrigante na história de nossas vidas para sugerir um voo livre de curta duração, numa asa delta imaginária, que seja capaz de mostrar-nos as águas do Piratini em dia de Sol e de verão, sempre calmas e transparentes. Neiff, essas imagens nos serão úteis e necessárias para o reabastecimento das nossas energias e até mesmo dos nossos melhores sonhos, nesta jornada “ferroviária” ou… operária da vida.
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Entre nós, amigo, nem mesmo a geografia, e por mais que esta se esforce, ela será capaz de estabelecer distanciamentos ou diferenças de qualquer ordem. Até mesmo porque, por mais traiçoeiro que o rio Piratini venha a ser, ele se deixará inocentar na identificação de suas próprias águas, sempre prontas para o batismo, doces e sagradas que são.
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Prossigamos Neiff Olavo, que a jornada é longa. E sabemos disso! Com o afetuoso abraço do teu vizinho de porta e de ponte.
Assinado: Vila Cerrito.
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Vila Olimpo e Vila Cerrito, aos 20 dias do mês de dezembro do ano dolorosamente inesquecível de 2020, Século XXI.