ARTIGO – NÃO SOMOS ‘INFLUENCERS’

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NÃO SOMOS ‘INFLUENCERS’

Paulo Gastal Neto*

O Treze Horas não é feito por ‘influencers’ (influenciadores). Ele nasceu há 48 anos – 6 de novembro de 1978 – e é diariamente conduzido por um jornalista e conta com a produção e participação de um radialista e colaboradores identificados e responsáveis!

Diariamente divulgamos e comentamos notícias e fatos.

O noticiário do mês de dezembro passado revelou que um criador de conteúdo digital de São Paulo foi recrutado para postar críticas ao Banco Central após a instituição decretar a liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Ele teria recebido R$ 7,8 mil por uma única postagem, naquele mês, e diz que depois disso recusou uma proposta de contrato para três meses.

Na sequência dos acontecimentos outros influenciadores também revelaram propostas similares, de três meses de duração para uma série de oito postagens por mês. Eles foram abordados também em dezembro de 2025. Exatamente neste período foi que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou uma enxurrada de ataques ao BC nas redes sociais.

Há casos semelhantes espalhados pelo Brasil afora variando os valores monetários.

A Polícia Federal está investigando os casos, sendo que até mesmo um vereador de Erechim e um ‘influencer’ estavam citados entre os que foram procurados para fazer a tal campanha de descrédito do Banco Central e defender o Master.

Os chamados influenciadores agora estão amparados por lei, pois na mesma semana do acontecido, coincidência ou não, o presidente Lula sancionava um projeto de lei que regulamenta a profissão “multimídia”, agora convertido na Lei nº 15.325/2026.

Após uma tramitação acelerada na Câmara e no Senado, o governo afiançou a proposta que ataca diretamente jornalistas e radialistas, com uma lei que concorre com as regulamentações profissionais já existentes.  A sanção desta legislação ocorreu sem qualquer diálogo com as entidades representativas das categorias e permite a inserção de uma função concorrente com as profissões consolidadas na sociedade, ao definir como funções de profissionais multimídia atividades que são exclusivas, por lei, das profissões de jornalista e radialista. Não define acúmulos de funções completamente distintas, nem prevê carga horária, além de não abrigar registro profissional e não definir formação específica para nova profissão.

A lei tenta desregulamentar o trabalho de jornalistas e radialistas. Porém, não extingue e nem altera a legislação específica dos mesmos, criando um sombreamento legal que só beneficia os empresários. Além disso, em tempos de epidemia de desinformação, regulamentar uma profissão genérica, sem nenhum requisito técnico e ético, só contribui para piorar ainda mais este ambiente tóxico que vem corroendo democracias mundo afora, incluindo a brasileira.

É nesse ambiente que surge então uma luz: as pessoas, o público que é sedento de informação correta, com crédito e tendo como fonte profissionais responsáveis, estão valorizando cada vez mais os espaços tradicionais como o Treze Horas. A tarefa exercida com respaldo legal, veiculados em meios institucionalizados e sob a égide de uma legislação que responsabiliza o profissional ao divulgar informações caluniosas, ofensas morais, inverdades – mesmo com essa concorrência desleal – irá ganhar cada vez mais crédito junto aos formadores de opinião e ao lado das pessoas que consomem informações oriundas de veículos credenciados. Como dizem: o mercado vai regular!

*Radialista e editor do www.pelotas13horas.com.br