ARTIGO – MOACIR VITORINO JARDIM

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O Dr. Moacir Vitorino Jardim sendo homenageado nos 60 Anos da UCPEL, em dezembro de 2022, em solenidade no Campus da Saúde Franklin Olivé Leite.

MOACIR VITORINO JARDIM

José Cruz e Souza*

É uma grande perda, muito grande, para a cultura do ensino acadêmico e para a medicina como um todo. Dr. Jardim foi o terceiro diretor da Faculdade de Medicina, sucedendo a Franklin Olivé Leite e a Gilberto Conceição Macedo. Muito jovem, esse mineiro conquistou logo o mundo universitário, tanto por suas aulas como pela rigidez que exigia no cumprimento do exercício médico.

Era muito querido pelos alunos, de tal forma que foi escolhido o paraninfo da segunda turma a se formar na Faculdade de medicina da UCPel. No dia da solenidade, ele dedicou toda manhã a ajustar o “chapéu” à cabeça de cada formando. Até nessa ocasião, a “cirurgia” de ajuste foi uma aula aos formandos. Era preciso abrir a costura do chapéu, ajustá-lo e voltar a costurá-lo.

A tal costura, Dr. Jardim fazia como se estivesse dando os pontos num pós-operatório e isso encantava os novos médicos, pois viam no Professor que haviam escolhido como paraninfo um exímio Mestre, educador em todos os momentos possíveis. Nunca esqueci desse momento, pois tudo era feito com pressa, devido à proximidade da formatura, à noite, com agilidade de quem sabe o que está fazendo e impressionante paciência para também ensinar a cada um que era atendido. Isso tudo foi feito na Secretaria da Faculdade de Medicina, contígua à sala do diretor, a primeira à esquerda de quem entra no hall da Reitoria. Comigo estavam outros servidores, como o secretário da época e hoje advogado, Dayton Vetromilla — um grande gestor administrativo da Católica — Vera Hess, que era a secretária assistente e viria a se aposentar depois de 50 anos prestados á UCPel, e os amigos João José Schneid e Carlos Alberto da Silveira Brizolara.

Eu era um humilde datilógrafo, que me saía muito bem na batida das teclas. O gabinete de Dr. Jardim tornou-se, assim, um grande atelier de cortes e costuras, com ele no comando, e com um entusiasmo sem igual, pois era dia de festa, de festeja a formatura de novos médicos, hoje veteranos, mas, acredito, todos orgulhosos de terem tido esse ilustre Mineiro como Mestre de suas carreiras. Vá em paz, Dr Jardim, o Senhor cumpriu a sua missão, a de Médico e a de Educador, sobretudo. Fica a saudade.

*Jornalista