ARTIGO – DUPLICAÇÃO DA BR-116: CINISMO INSTITUCIONAL

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DUPLICAÇÃO DA BR-116: CINISMO INSTITUCIONAL

Paulo Gastal Neto*

No fim de março deste ano, o Governo do Estado anunciou o repasse de cerca de R$ 96 milhões para a duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, através de uma parceria republicana e democrática entre o RS e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Por meio de um acordo entre os dois entes, se estabeleceria a cooperação técnica referente aos investimentos necessários na rodovia que liga a capital ao principal porto do RS e o consequente repasse do montante.

Pasmem os senhores: a Assembleia Legislativa do RS, nesta terça-feira, rejeitou a ideia. É inacreditável. Mais irracional ainda é que o deputado estadual José Nunes-PT (da metade sul – São Lourenço do Sul) e – pasmem – presidente da Frente Parlamentar EM DEFESA da duplicação da BR-116, votou contra. É surreal.

É inacreditável: o deputado pelotense, Fernando Marroni, também do PT, acompanhou o voto do companheiro. É inexplicável. Outros deputados que granjeiam votos aqui na metade sul também foram contra e pertencem a diversos partidos como Sérgio Turra e Silvana Covati do PP-Progressistas; Fábio Ostermann e Giuseppe Riesgo do Novo; Fran Somensi do Republicanos; Rodrigo Lorenzoni do PL; Luciana Genro do PSOL; Luiz Fernando Mainardi (de Bagé) do PT; enfim todos frequentadores do Treze Horas, programa que tem como bandeira a duplicação do trecho. Esses deputados utilizam o espaço para alardear um trabalho propositivo, ações em favor da região (sic). Agora estamos ciente que apenas querem o voto do iludido eleitor que nos escuta diariamente.

Em relação aos outros deputados, o leitor poderá procurá-los no quadro acima que ilustra este texto. Não os citei porque aqui pouco aparecem e não se importam com o que nos acontece. Agora percebemos que não estão sozinhos.

É lógico que a decisão desses nobres parlamentares está ancorada numa só ideia: a eleição que se avizinha. Está claro que não pensam no eleitor e sim no futuro imediato: uma possível reeleição de Eduardo Leite. Se aprovada a ideia em pauta – na visão desses ‘defensores do povo’ –  Eduardo seria o avalista derradeiro do final da obra e com isso poderia estabelecer uma ‘paternidade’, o que é ilusório. Chega a ser irresponsável pensar assim, mas é o que acontece no íntimo de cada um deles,

Pouco importa a esses deputados, que votaram contra, a melhoria da logística para o caminho do Super-Porto de Rio Grande; Não há preocupação com a diminuição dos acidentes e consequentemente o desafogo dos hospitais; Não estão nem aí para a nova licitação do trecho que será em 2026 e que poderia diminuir os valores dos pedágios; Oferecem uma figa para os caminhoneiros que ficam em comboio por horas até o seu destino e não estão nem aí para com a valorosa profissão de motorista; Estão se lixando para os que se deslocam pela BR-116 diariamente levando cargas e passageiros. Enfim, os argumentos são tão pueris, tão frágeis, tão sem conteúdo que revelam o quanto não há nenhuma preocupação com você (e)leitor e sim com a próxima eleição. Lamentável.

*Radialista e editor do site www.pelotas13horas.com.br