ARTIGO – DONA ENEIDA.

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DONA ENEIDA
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Clayton Rocha
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Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.
Saint-Exupery.
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Que a dor da separação nunca nos arranque do peito a gratidão pela oportunidade do tempo vivido e compartilhado.
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O silêncio respeitoso neste dia 2 de Novembro também vale como uma prece!
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PROSSIGAMOS, POIS…
Cientes de que para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro! Afinal de contas, somos aquilo que pensamos, amamos, realizamos. E somos aquilo que lembramos! Além dos afetos que alimentamos, a nossa riqueza são os pensamentos que pensamos, as ações que cumprimos, as lembranças que conservamos e não deixamos apagar e das quais somos o único guardião. Que nos seja permitido viver enquanto as lembranças não nos abandonarem e enquanto – na expressão de Norberto Bobbio – pudermos nos entregar a elas.
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Cumpre-nos saber – porém – naquilo que diz respeito à memória, que o resíduo ou o que logramos desencavar desse poço sem fundo, é apenas uma ínfima parcela da história de nossa vida.
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Nada de parar. Devemos continuar a escavar! Cada vulto, gesto, palavra ou canção, que parecia perdido para sempre, uma vez reencontrado nos ajuda a sobreviver. E que não te inquiete o futuro: a ele chegarás, se for preciso, levando a mesma razão de que ora te vales nas questões presentes.
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Cava fundo; pois no fundo está a fonte do bem, capaz de jorrar perenemente, basta que não pares de cavar. E sê bondoso, que a raça humana é divina. Liberta pouco a pouco a tua alma, discerne o justo e aprende o significado das coisas. Depois de assim procederes, mergulharás na essência do homem e de Deus, e conhecerás o princípio e o fim. (CR)