
Daniel Noboa: A Vitória da Ordem e do Progresso no Equador
Marco Jacobsen*
A reeleição de Daniel Noboa à presidência do Equador, com mais de 55% dos votos, não é apenas uma confirmação política — é uma escolha clara por estabilidade, segurança e, acima de tudo, por uma gestão mais pragmática e profissional da coisa pública.
Noboa, jovem, empresário e herdeiro de um dos maiores grupos econômicos do país, representa a antítese do populismo latino-americano que insiste em prometer o mundo enquanto entrega miséria. O Equador, com seus 17 milhões de habitantes, está longe de ser uma potência regional, mas é um player importante — e o que ele decidir internamente tem reflexo direto até no Brasil.
Falando nisso, pouca gente presta atenção nesses números, mas devia: o Equador exporta para o Brasil algo em torno de 113 milhões de dólares por ano, enquanto nós mandamos para lá cerca de 772 milhões de dólares anuais. Isso por si só já mostra quem tem mais a perder se a instabilidade tomasse conta do país. Um Equador em colapso prejudica não só sua própria população, mas também a dinâmica comercial com o Brasil — especialmente setores de alimentos, químicos e bens de capital.
Noboa entendeu que sem segurança, não há investimento. E sem investimento, não há emprego, crescimento ou arrecadação. Por isso não teve medo de bater de frente com o crime organizado, declarar guerra às gangues e colocar as Forças Armadas para recuperar o controle do território nacional. Fez o que precisava ser feito — algo raro na América Latina.
A oposição, como de praxe, gritou “fraude” sem provas. Faz parte do script. Quando a esquerda perde, geralmente contesta o jogo. Mas dessa vez, nem a gritaria conseguiu tirar o brilho de uma eleição que foi limpa, com observadores internacionais, e, sobretudo, com um resultado que refletiu o desejo real da maioria dos equatorianos: seguir adiante.
Agora, a expectativa é de que Noboa use esse novo mandato para avançar em reformas estruturais. O Equador precisa se abrir mais ao comércio, reduzir burocracias e dar segurança jurídica aos investidores. O momento é propício. A economia global está acomodando suas cadeias produtivas, e países estáveis com liderança firme e visão de longo prazo podem sair na frente.
Se Daniel Noboa continuar fazendo o que tem feito — menos discurso, mais ação — o Equador pode deixar de ser apenas um parceiro comercial pequeno do Brasil e virar um hub estratégico na costa do Pacífico. Potencial tem. Falta, como sempre, vontade política. E, pelo visto, vontade não falta ao novo (e reeleito) presidente.
*Administrador, Historiador e Relações Governamentais.











