ARTIGO – AMAZÔNIA

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AMAZÔNIA

Ivon Carrico*

Quando ingressei no Serviço Público Federal, na década de 1970, fui trabalhar no Projeto Rondon, que era vinculado ao MINTER/Ministério do Interior, comandado pelo todo poderoso Ministro Mário Andreazza.

O MINTER, na realidade, era um Superministério quase sempre ocupado por notáveis. Daí a figura proeminente do Andreazza.

O MINTER tinha sob a sua jurisdição, dentre outros, órgãos que executavam grandes projetos e atividades na Região Norte: Projeto Rondon, Funai, Sudam, Suframa (Zona Franca de Manaus).

Ivon Carrico (ao centro de barba) no Projeto Rondon. Em Pedras de Maria da Cruz/MG. Em 1974. Aguardando a balsa para cruzar o Rio São Francisco. Hoje há ponte no local.

Assim, no início da década de 1980, para lá fui comissionado e por 04 anos exerci minhas atividades profissionais como Engenheiro em vários Estados e cidades da Amazônia.

Desnecessário dizer da minha surpresa ao me deparar com um mundo tão grande e diverso. Muito diferente do meu amado rincão gaúcho. Para mim tudo era novidade: as pessoas, as comunidades, as distâncias, o clima, os vazios demográficos, os costumes, a biodiversidade.

Também, por força de acordos ministeriais, fui trabalhar em convênios estabelecidos com o Exército. Daí, de mais conhecimentos locais me apropriei.

Desse extenso período de experiência, registro – por oportuno e honestidade de propósitos – que somente 02 órgãos me impressionaram pelo magnífico trabalho exercido há mais de século naquela Região – o Exército e a Igreja Católica.

Quando embrenhado naquelas matas e, vendo as dificuldades existentes, já aflorava em mim uma indignação indescritível diante de tanto descaso pela falta de assistência daquelas comunidades e, de integração com o restante do País.

A Amazônia é um patrimônio mundial, mas que pertence – sobretudo e, em grande parte – aos brasileiros. Possíveis e evitáveis tragédias, que por lá – às vezes – ocorrem não podem, entretanto, servir de substrato para proselitismos oportunistas.

Precisamos, sim, é desse grande projeto de assistência e integração, onde se respeite – sobremaneira – o meio ambiente e a cultura local. Ou seja, hoje, em práticas modernas de sustentabilidade e de desenvolvimento.

*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. Brasília: 13/06/2022