ARTIGO – AGOSTO

118
AGOSTO
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Ivon Carrico*
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Getúlio Vargas foi Presidente do Brasil em 02 períodos: o primeiro de 1930 até 1945. E, depois, de 1951 até 24/08/1954.
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Nesse segundo período Getúlio Vargas teve um governo tumultuado devido às medidas administrativas impostas e às acusações de corrupção.
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No entanto, o atentado perpetrado contra o Jornalista Carlos Lacerda – seu feroz opositor, que matou o Major Rubens Vaz e que fora atribuído a membros da sua Guarda Pessoal – fez com que a imprensa e os militares o pressionassem pela renúncia. Desgastado com todos esses episódios cometeu suicídio em 24/08/1954.
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Por sua vez, Jânio Quadros foi Presidente do Brasil entre 31/01 e 25/08/1961. O seu Governo foi caracterizado por uma tomada de medidas confusas e impopulares. Isolado, renunciou em 25/08/1961, após pouco mais de seis meses no cargo.
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Já, Fernando Collor foi eleito Presidente do Brasil, em 1989. Ao assumir o País estava em grave crise econômica. Para contê-la, o então Presidente lançou o “Plano Collor” que fracassando, agravou ainda mais a situação.
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Para piorar, inúmeras falcatruas e desvios de recursos públicos emergiram o que não coadunava com a bandeira anticorrupção do então “Caçador de Marajás”.
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Assim, também, cada vez mais isolado, em 13/08/1992, Collor pediu para que os brasileiros saíssem às ruas vestidos com as cores da bandeira do Brasil em forma de apoio ao seu Governo.
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Em resposta, milhares de estudantes saíram às ruas de preto com os rostos pintados de verde e amarelo pedindo o seu Impeachment.
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Ontem, 10/08/2021, também, a Nação assistiu confusa a um inusitado desfile militar convocado pelo Presidente Bolsonaro sob o argumento de um singelo convite para assistir a manobras da Marinha.
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Referida cerimônia se deu na Esplanada dos Ministérios no dia da votação, pela Câmara dos Deputados, da PEC do Voto Impresso, o que foi diagnosticado pela oposição e pela mídia como uma intimidação ao Congresso e ao Judiciário.
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Vivemos dias incertos. E, a agravar o pedaço, estamos todos assustados com essa Pandemia e com os desacertos dessa Governança insana. Aí compreendidos o Executivo, o Judiciário e o Congresso Nacional.
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*Ivon Carrico é pelotense, mora em Brasília, atuando na administração há quase 50 anos. Atuou na ANVISA e na Presidência da República. (Brasília, 11/08/2021).
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