ARTIGO – A DITADURA DA TOGA E O SILÊNCIO DA REPÚBLICA

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Imagem do Le Monde Diplomatique – Internet

A Ditadura de Toga e o Silêncio da República

Giuseppe Riesgo*

Vivemos tempos em que a balança da Justiça perdeu o equilíbrio. As garantias individuais, antes sagradas, viraram reféns de vontades pessoais. Ministros do Supremo, que deveriam ser os guardiões da Constituição, hoje legislam, acusam e julgam — tudo ao mesmo tempo e sem freios.

O ex-presidente Bolsonaro, por suas escolhas, erros e acertos, é hoje um símbolo. Não de perfeição, mas da resistência contra um sistema que odeia a liberdade. Está inelegível, investigado, vigiado, censurado — por crimes que mudam conforme o humor dos que mandam. Na prática, é um preso político. E quem não vê isso, já se acostumou com a tirania.

Não há mais espaço para o autoengano. As decisões monocráticas são o novo AI-5, agora revestido de verniz legalista. Quem ousa divergir, é silenciado; quem se omite, compactua. E a velha máxima liberal se impõe: um poder sem freios é um convite à arbitrariedade. Não luto por Bolsonaro. Luto por algo maior: o direito de discordar, de votar, de existir fora da bolha estatal.

O STF não pode ser um partido político com toga.

É hora de reagir — com firmeza, com clareza e com coragem. Porque quem cala hoje, será o próximo a ser calado amanhã.

* Ex-deputado estadual pelo NOVO e atual Secretário de Parcerias de Porto Alegre.