TREZE NO MUNDO DA COPA: O RÁDIO É MESMO UM GIGANTE INABALÁVEL DA COMUNICAÇÃO

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TREZE NO MUNDO DA COPA: O RÁDIO É MESMO UM GIGANTE INABALÁVEL DA COMUNICAÇÃO

Paulo Gastal Neto*

Houve quem fizesse a previsão: com a chegada da era digital, o rádio sofreria um abalo muito grande. Mais uma vez o propagado estava desconectado com a realidade, assim como por ocasião do nascimento da internet. Muitos preconizaram que o streaming, os vídeos curtos e as redes sociais engoliriam o centenário e velho rádio. Simplesmente erraram feio. Em plena Copa do Mundo de 2026, sediada em três países: EUA, México e Canadá, o rádio não apenas sobrevive, mas prova que está mais vivo, vibrante e essencial do que nunca. Enquanto os olhos do mundo se dividem entre centenas de telas e algoritmos, é a voz do rádio que continua a ditar o ritmo do coração dos torcedores.

Esta Copa de 2026 entrou para a história como o torneio da consolidação multiplataforma, mas, também como o Mundial da afirmação definitiva do rádio. Todos os países participantes enviaram suas emissoras oficiais e populares para os gramados da América do Norte. O resultado? Um espetáculo sonoro sem precedentes, onde cada nação exibe sua identidade cultural através de estilos de narração que são únicos.

Assistir a um jogo pela televisão ou pelo YouTube você recebe a imagem pronta, mastigada. O rádio faz algo muito mais poderoso: ele convida o ouvinte a criar o cenário. A emoção transmitida pelas ondas sonoras é inigualável. O grito de gol no rádio dura mais, o suspense no contra-ataque é mais sufocante e a paixão do narrador transcende o microfone.

Seja no gingado dramático dos narradores sul-americanos, no ritmo frenético das rádios europeias ou na festa das emissoras africanas, o rádio reconectou o futebol com a sua essência: o sentimento puro. Enquanto as redes sociais fragmentam a atenção com ‘memes’ e análises rápidas, as jornadas esportivas radiofônicas constroem uma atmosfera de comunhão que dura os 90 minutos e muito além deles.

Mais do que entretenimento, a Copa de 2026 reforça o papel social e humanitário deste meio. Enquanto a internet de alta velocidade ainda é um privilégio, o rádio é universal. Nas regiões mais remotas e isoladas do planeta, onde o sinal de internet não chega e a energia elétrica falha, os povos ainda sobrevivem e se informam graças ao bom e velho radinho de pilha.

Para as classes menos abastadas, o rádio continua sendo o principal canal de inclusão, pois ele não exige assinatura mensal, pacotes de dados caros ou aparelhos de última geração. É democrático por natureza. Na favela, no campo, no táxi ou no barco em rios distantes, o rádio nivela a todos na mesma emoção. O rádio não compete com a tecnologia moderna; ele a abraça para expandir sua voz, sem nunca perder sua alma analógica e acolhedora.

O fenômeno desta Copa se faz notar tanto nas gigantes da comunicação, que montaram estruturas complexas e integradas ao digital, quanto nas pequenas e mais populares emissoras locais de cada país. Todas encontraram seu espaço e seu público fiel. O rádio soube se modernizar, marcando presença também no YouTube e nos aplicativos, provando que a voz humana, carregada de paixão, é o formato definitivo de conteúdo.

A Copa do Mundo de 2026 não pertence ao TikTok ou aos influenciadores digitais. Ela pertence, por direito e por afeto, aos locutores, repórteres e técnicos que transformam o som em imagem na mente de bilhões de pessoas. O rádio não é o passado. Ele é, hoje e sempre, o presente mais pulsante da comunicação mundial.

*Radialista e editor do www.pelotas13horas.com.br