ARTIGO – LULA E O FAVORITISMO INCERTO

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LULA E O FAVORITISMO INCERTO

Ivan Duarte*

Como diz Zigmunt Baumann, vivemos tempos de sociedades líquidas. Nada é sólido. Tudo é fluído. Os ciclos são curtos. Estamos em fevereiro, mas já podemos afirmar que as eleições presidenciais deste ano anunciam – e não vai mudar até outubro – dois campos bem definidos, que vão ao segundo turno: progressistas do Estado social x conservadores do Estado menor. Ou esquerda + centro-esquerda versus extrema-direita + centro-direita.

Os primeiros em torno de Lula, o favorito, que vai enfrentar, pela segunda vez, o bolsonarismo e aliados. Tudo indica que o senador Flavio Bolsonaro vai capitanear este campo. E é o máximo que se pode cravar, nas apostas para outubro no Brasil. Lula, hoje, mostra um visivel favoritismo. Estes dois espectros politico-ideológicos já se degladiam nas principais economias ocidentais, há vários anos. A novidade é que , agora, os resultados de um projeto socio-econômico em um país, influenciam diretamente, imediata e decisivamente, nos outros.

E não estou falando da influência das grandes potências econômico-militares sobre as periféricas. Estou dizendo que as conduções da economia do México e da Argentina , para dar apenas dois exemplos, impactam as eleições no Brasil, como nunca impactaram. E vice versa.

O segundo ponto é que, aquilo que os socialistas e comunistas tentaram com as Internacionais, os conservadores estão praticando com plataformas na internet. E Donald Trump, a partir dos poderosos EUA, fortalece estas articulações, pela direita conservadora.
Portanto, todas as eleições nacionais estão, como jamais, internacionalizadas.

Terceiro, as três grandes potências – EUA, Rússia e, principalmente, China – por meios econômicos e/ou bélicos, aumentaram seus domínios sobre o resto do planeta. E a ONU, a OIT e o direito internacional viraram peças decorativas.

Por fim , e o mais importante: A internet está e estará absolutamente, no centro. Mais que projetos, discursos e marqueteiros. Mais, até, que os candidatos.

Gastaremos mais tempo examinando os poderes da Inteligência Artificial, do que qualquer plataforma eleitoral. Os debates e tempos de TV terão tempos enormes dedicados a desmentir fake news.

E aí, o favoritismo de Lula, fatalmente, será ameaçado. E as ameaças virão pelos meios digitais, acessíveis a qualquer pessoa e sem qualquer controle ou, na hipótese melhor, com controles extremamente frágeis. Então, pode ser que Bauman seja superado. Poderemos entrar em incertezas de um “mundo gasoso”… Oremos.

*Vereador do Partido dos Trabalhadores