ARTIGO – ‘COM O BODE NA SALA’

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‘COM O BODE NA SALA’

Ivon Carrico*

No anedotário popular tupiniquim esse adágio recorda a dissimulação, o diversionismo como estratégia para tirar o foco de situações embaraçosas.

Se nas relações pessoais é uma prática mal vista, imagine isso nas relações do Poder. A História, contudo, tem nos mostrado a deletéria atuação de inúmeros governantes que a adotaram para distrair o povo dos seus reais problemas.

Por sua vez, também, é fácil identificar o quanto alguns detentores do Poder se beneficiam(ram) dessa prática que mais divide do que soma. É interessante, contudo – que me perdoe o Charles Darwin – para a perpetuação da espécie, digo Poder.

Já – hoje, no mundo – muitos governos à Direita ou à Esquerda do espectro político, em especial Ditaduras, se utilizam desse expediente para tergiversar sobre assuntos de maior relevância.

Em especial, evoco o Primeiro Ministro israelense Benyamin Netanyahu cujo País – por sinal – é uma democracia. Mas, para fugir da condenação por corrupção, Netanyahu – ao que parece – mantém um insano estado de beligerância em Gaza (que já poderia ter sido encerrado).

Por aqui, também, não poderia ser diferente. A sucessão de escândalos – dentre outros, do INSS ao Banco Master – e suas incestuosas relações com os detentores do Poder, merece a devida apuração e responsabilização.

Todavia, eis que – de repente – surge o bode. Não na sala, mas na Praça dos Três Poderes. A quem interessa, assim, e a quais propósitos a dissensão ora promovida para a sabatina do Jorge Messias ao STF e, agora, a polêmica Decisão monocrática sobre o Impeachment de Ministros daquela Corte? (Ivon Carrico)