UMA NO CRAVO, OUTRA NA FERRADURA

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UMA NO CRAVO, OUTRA NA FERRADURA

Ivon Carrico*

No Brasil, não é de hoje a presença das tantas oligarquias no controle do Poder para o benefício de poucos. Isso vem ocorrendo desde os primórdios dessa Terra de Santa Cruz até os dias atuais. Com poucos períodos de pleno exercício democrático.

O fim da escravidão, por exemplo, trouxe grande insatisfação às oligarquias rurais que urdiram o golpe militar que proclamou a República e, consagrou a conhecida ‘República Velha’ (1889/1930), quando os grandes latifundiários de São Paulo e Minas Gerais dominaram a cena com a famosa ‘Política do Café com Leite’.

Esta, por sua vez, foi colapsada em 1930, quando Getúlio Vargas – em um novo golpe cívico-militar – depôs o governo, encerrando 41 anos do domínio dessas oligarquias rurais. A Era Vargas (1930/1945), teve significativo avanço nas questões econômicas e sociais, centralizando – todavia e, mais uma vez – o Poder em poucas mãos.

Em 1964, uma coalizão conservadora que incluía as Forças Armadas, grandes empresários, latifundiários, parte da imprensa e governadores, instaurou 21 anos de violenta repressão política. E, mais uma vez, um governo para poucos.

A volta da democracia – em 1985 – ocorreu em face do esgarçamento do regime militar vigente. Assim, eleições livres ocorreram e uma nova Constituinte elaborou a Carta de 1988 com o estabelecimento do Estado Democrático de Direito.

Vem daí, por exemplo, o sucesso das políticas de inclusão social dos governos lulopetistas. Mas, o sucesso do Lula I não repercutiu – entretanto – nos governos subsequentes, marcados por desmandos, corrupção e muita, mas muita impunidade. Foi, digamos, uma no cravo, outra na ferradura!

E, o pior, nos três níveis e esferas do Poder, privilegiando – como sempre – oligarquias que, de dentro ou de fora, capturam o Estado para o deleite de poucos. Hoje, a tripartição do Poder desenhada por Montesquieu é um arremedo.

Por isso, muito oportuna a leitura e a discussão do livro “A Oligarquia dos Três Poderes, e a Crise da Democracia”, de autoria do Jurista Joaquim Falcão que descreve a suposta união sistêmica e a apropriação do Estado pelas cúpulas do Executivo, Legislativo e Judiciário para benefício próprio. (Ivon Carrico)