TÃO LONGE, TÃO PERTO…

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TÃO LONGE, TÃO PERTO…
Vestibulares, a “Copa do Mundo” do rádio antigo.
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Clayton Rocha*
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Nos vestibulares da UCPel, UFPel e Furg, num tempo em que o som do rádio ecoava em toda parte, a única coisa que importava era o “Listão” dos aprovados. Vivia-se, convivia-se, sonhava-se, aguardava-se! Jamais o rádio do interior do Estado alcançara tamanho prestígio: – O mundo não conhecia Internet, Tv a cabo, telefonia celular, até mesmo a televisão só chegava em preto e branco, enquanto pequenas pilhas alimentavam o inseparável radinho portátil de cada um de nós.
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Saudades eu tenho de toda aquela magia que foi capaz de levar ao saudável arrepio na interpretação dos sentimentos humanos e muito especialmente durante aquela “Copa do Mundo da Academia”. O Listão saía do CPD da PUC e era levado, – às pressas – para a primeira cabine telefônica que se apresenta-se diante de nós: – Aqueles “Listões” intermináveis deveriam ser lidos, e de imediato, para diminuir a angústia dos candidatos que esperavam pela citação de seus nomes completos e até mesmo de referências às suas pessoas ou cidades de origem. Isso era o rádio envolvente e poderoso daqueles tempos, sempre gratificado por uma audiência digna de uma grande final esportiva ou eleitoral.
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Afinal de contas, qual foi a tua marca? Costumo ouvir essa pergunta feita por pessoas de todas as idades. E então respondo, e sem nenhuma hesitação, que se a vontade fez o caminho eu escolhi certo: eu escolhi o rádio, o uso da palavra pelo tempo afora, tempo de uma história profissional que não abre mão, sob nenhuma hipótese, da credibilidade necessária!
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E enquanto fecho a página desta memória, selecionando algumas imagens antigas de vestibulandos e de comunicadores, todas elas impregnadas de radiojornalismo e de intensas vivências, experimento agora uma só certeza: a de que o nosso melhor retrato é, sim, a fotografia da nossa própria consciência. (CR).
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*Jornalista e criador do Treze Horas há 47 anos.